Do Bolg Sertão Central.com
Serrita, um município de pequeno porte no Sertão pernambucano, vem se destacando não por avanços estruturais ou melhorias significativas nos serviços públicos, mas pelo alto volume de recursos destinados a festas e eventos ao longo do ano. Levantamentos apontam que, somando gastos com artistas, bandas, ornamentação, estrutura de palco, som, iluminação, contratação de profissionais, propaganda e divulgação, os custos podem ultrapassar R$ 3 milhões anuais — um valor considerado elevado para a realidade financeira da cidade.
Não se trata apenas de cachês artísticos. A conta das festas inclui uma cadeia extensa de despesas: locação de palcos e equipamentos de som, iluminação de grande porte, estruturas metálicas, ornamentação temática, serviços de produção, equipes técnicas, segurança privada, publicidade em rádios, carros de som, material gráfico e mídia digital. Quando tudo é somado, o resultado é uma fatura milionária paga com dinheiro público.
Embora os eventos tradicionais façam parte da cultura local, o excesso de gastos levanta questionamentos legítimos, sobretudo diante das dificuldades enfrentadas pela população no dia a dia. Falta de médicos, atendimento precário na saúde, ausência de medicamentos, estradas vicinais em condições críticas, escolas carentes de estrutura e bairros com ruas sem pavimentação seguem sendo problemas recorrentes.
Em muitos pontos da cidade, moradores ainda convivem com iluminação pública deficiente, saneamento precário e serviços básicos insuficientes. Nesse contexto, destinar mais de R$ 3 milhões por ano para festas soa como uma clara inversão de prioridades, especialmente quando se trata de um município com orçamento limitado e demandas urgentes.
Com esse mesmo valor, seria possível reforçar a rede de saúde, ampliar o atendimento médico, adquirir ambulâncias, investir em educação, pavimentar ruas, recuperar estradas rurais ou executar obras estruturantes que deixassem benefícios permanentes para a população — e não apenas lembranças de alguns dias de festa.
A crítica não é contra a cultura ou o lazer, mas contra o modelo de gestão que privilegia eventos de alto custo em detrimento de políticas públicas essenciais. Festas acabam, palcos são desmontados e o som silencia; já os problemas estruturais continuam presentes durante todo o ano.
Especialistas em gestão pública alertam que cidades de pequeno porte precisam agir com ainda mais responsabilidade na aplicação dos recursos, priorizando investimentos com impacto social duradouro. Gastos elevados com eventos podem gerar visibilidade política momentânea, mas não resolvem os desafios reais da população.




























