Servidora do TJBA é investigada por incluir a própria mãe em alvarás judiciais para desviar dinheiro

Por Claudia Cardozo
Uma investigação interna no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) mira uma técnica judiciária suspeita de articular um esquema inusitado e grave para abocanhar valores depositados em contas judiciais. A decisão revela que a servidora M. J. C. da S. teria utilizado seu acesso ao sistema para beneficiar a si mesma e a familiares, incluindo a própria mãe.
A sindicância foi instaurada pelo corregedor judicial, desembargador Salomão Resedá, após denúncias que tramitam em um processo administrativo. De acordo com o documento oficial, a servidora atuava de forma estratégica em processos que já estavam arquivados. A suspeita é de que ela elaborava minutas de alvarás judiciais em favor de pessoas que não tinham qualquer relação com as ações judiciais.
O que mais chamou a atenção da Corregedoria foi o fato de a técnica supostamente incluir dados de sua genitora e de outros parentes nos processos para viabilizar os pagamentos fraudulentos.
As irregularidades não teriam ocorrido em apenas um local. O texto da Corregedoria aponta indícios de que a conduta se repetiu em diferentes unidades judiciais, citando especificamente as comarcas de Senhor do Bonfim e Ibirataia.
Punições e Prazos
A servidora é acusada de infringir diversos artigos do Estatuto do Servidor Público e da Lei de Organização Judiciária, o que configura, em tese, o uso do cargo para obter vantagem ilícita e ferir a moralidade administrativa.
Para conduzir os trabalhos, foi designada a juíza auxiliar Júnia Araújo Ribeiro Dias. A magistrada terá um prazo de 60 dias para apresentar o relatório conclusivo que pode resultar em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e, eventualmente, na demissão da servidora.


























