Sócrates: a morte que o tornou eterno

O dia tinha chegado. No interior da prisão ateniense, Sócrates esperava tranquilo. Seus discípulos o rodeavam, muitos deles chorando. Mas ele não. Seu rosto, sereno, era o de um homem que tinha vivido de acordo com sua consciência até o fim. Não havia arrependimento. Apenas uma firmeza profunda, nascida da convicção de que a verdade é mais valiosa que a vida.
A lei ateniense exigia que o condenado bebesse cicuta, um veneno que paralisa o corpo lentamente até parar o coração. Sócrates tomou a taça sem hesitar. Não fez discursos, não procurou dramatismo. Ele só pediu que eles se lembrassem de pagar um galo a Esculápio, o deus da medicina. Como se a morte fosse uma cura.
Platão, que não estava presente mas reconstruiu a cena, escreveu que Sócrates andou alguns passos, então deitou-se, e à medida que o frio subia dos seus pés até o seu peito, sua voz ficou mais baixa. Ele não resistiu. Ele não gritou. Apenas se apagou com a mesma dignidade com que tinha vivido.
Morreu aos 71 anos, mas o que começou aí não foi um fim, mas um começo. Sócrates não deixou livros. Mas a sua morte, tão coerente com a sua vida, transformou a sua figura em símbolo eterno da liberdade interior, da coragem de pensar e da força que tem uma consciência tranquila.
E assim, o homem que nunca escreveu uma palavra, tornou-se o pai da filosofia ocidental.

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