Turistas agredidos em Porto de Galinhas afirmam que episódio “não representa Pernambuco”

Vítimas de agressão por barraqueiros relatam hospitalidade dos moradores de Porto de Galinhas

Mareu Araújo

O casal foi agredido no último sábado (27) por barraqueiros em Porto de Galinha (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Após serem alvo de agressões por parte de barraqueiros no último sábado (27), na praia de Porto de Galinhas, os turistas Johnny Andrade e Cleiton Zanatta afirmaram que o episódio “não representa o povo pernambucano”.

Em pronunciamento nas redes sociais, publicado no perfil de Johnny, na noite desta quinta-feira (1º), o casal defendeu que a culpa pelo dano à imagem da praia é exclusiva dos barraqueiros que os agrediram. Além disso, eles não descartam retornar ao estado.

Moradores de Mato Grosso, o casal foi agredido por barraqueiros na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. Segundo eles, as ações aconteceram após se recusarem a pagar o valor cobrado pelo uso de cadeiras de praia. A taxa teria aumentado de R$ 50 para R$ 80 sem aviso prévio. O caso é investigado pela Delegacia de Porto de Galinhas.

O casal usou as redes para agradecer o carinho de internautas pernambucanos que têm enviado mensagens acolhedoras e de solidariedade. “Alguns dizem que estão envergonhados pelo o que aconteceu, mas não se envergonhem. Isso não representa vocês”, afirma Johnny.

Na gravação, publicada nas redes sociais de Johnny na noite da quinta-feira (1º), Cleiton também afirma que eles “não têm nada contra as praias do Nordeste”. O casal detalha que foi bem recepcionado quando chegou ao município, tendo caminhado pelas partes turísticas e sendo bem atendido em estabelecimentos comerciais.

“Não causamos prejuízo”

Em outro momento do vídeo, Cleiton afirma que não foram eles que prejudicaram o comércio de Porto. “Foram essas pessoas que trataram mal seus clientes. Digamos que 30 ou 40 pessoas estragaram o comércio de Porto de Galinhas. [O comércio] de duas ou dez mil pessoas”, continua Johnny.

Eles ainda compartilham com os seguidores a possibilidade de voltarem a Porto de Galinhas. “Enfim, só quero desejar de coração um feliz ano novo para todos vocês em Porto de Galinhas. Quem sabe um dia a gente volta para lá”, finalizou Johnny.

Ano Novo

Johnny e Cleiton passaram Ano Novo em Balneário Camboriú, no Sul do país. Eles foram a convite da Associação de Bares e Restaurantes (Abres) da cidade catarinense, como um gesto de acolhimento. “Sempre fomos muito felizes aqui. A gente esperava, sim, que Porto de Galinhas fosse nos tratar com o máximo de carinho e respeito”, acrescentou.

O casal relatou que hesitou em aceitar a viagem quando oferecida. “Não estamos com condições psicológicas e nem físicas para sair de perto da nossa família, mas entendemos que a nossa vida segue e precisamos continuar dando voz para outras pessoas”, disse Johnny.

Nos dias anteriores, também nas redes sociais, o casal afirma que os agressores deveriam estar na “cadeia” e exibe um comprovante de Pix no valor de R$ 94. O vídeo, gravado no aeroporto de Cuiabá, surge como resposta ao posicionamento dos envolvidos nas agressões.

“Diante de tantas inverdades, vou esclarecer algumas coisinhas a mais. Vocês só falaram mentiras a nosso respeito. Nós não chegamos alterados na barraca; não estávamos bêbados; não levamos dois litros de uísque”, afirma Johnny Andrade, que exibe um hematoma no olho direito.

Decreto

Após o caso, a Prefeitura de Ipojuca publicou, nesta quarta-feira (31/12), um novo decreto com o objetivo de reforçar as regras de funcionamento do comércio na orla e estabelecer medidas para proteger consumidores e visitantes.

O Decreto nº 149/2025 altera dispositivos do nº 485/2018 e proíbe expressamente práticas consideradas abusivas, como a exigência de consumação mínima, a cobrança de taxas ou multas pela não consumação e a chamada venda casada de produtos ou serviços por barracas de praia e seus colaboradores.

A norma também estabelece que o descumprimento das regras pode resultar na suspensão temporária ou até na cassação da autorização de funcionamento, mediante decisão fundamentada da Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano.

Além da regulamentação, a Prefeitura de Ipojuca anuncia um conjunto de medidas imediatas em resposta ao caso. Entre as ações estão a suspensão temporária, pelo prazo de uma semana, das atividades da barraca envolvida na agressão, bem como o afastamento preventivo dos garçons e atendentes citados na ocorrência até a conclusão da investigação.

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