Vereadores preveem campanha difícil
Luan Santos
Vereadores de Salvador preveem dias difíceis na busca pela reeleição em outubro por conta das mudanças provocadas pela legislação eleitoral, que reduziu o tempo de campanha de 90 para 45 dias e baniu o financiamento privado, o que dificulta a arrecadação.
Se nos anos anteriores os edis preferiam não participar das sessões ordinárias para tocar a campanha, neste ano, com estas mudanças, a participação nas atividades da Câmara Municipal é considerada um trunfo para atrair mais visibilidade, com a divulgação das ações por meio da TV Câmara e a própria cobertura jornalística, segundo apurou A TARDE.
Além disso, eles apostam no corpo a corpo com a população e um intenso trabalho nas redes sociais para vencerem o pleito. A lei também impôs aos candidatos a vereador um teto de gastos de R$ 396,7 mil nestas eleições. Em 2012, o maior gasto de vereador na capital foi de R$ 423,6 mil. No entanto, nos bastidores da Câmara se diz que se o vereador conseguir R$ 100 mil em doações pode se considerar um felizardo. Apenas pessoas físicas podem doar aos candidatos nesta eleição.
O presidente da Casa, vereador Paulo Câmara, disse que o legislativo irá funcionar normalmente durante o período de campanha. “Temos muito trabalho a fazer, um dever com a cidade a cumprir”. Ele diz que a redução do custo de campanha afeta a todos. “Fica bom para todo mundo. A grande sacada (para a eleição) vai ser o trabalho com rede social e o trabalho de formiguinha, participando de reunião, fazendo o corpo a corpo, olhar no olho do eleitor”, afirma.
Segundo o vereador Leo Prates, vice-líder do governo e presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJ), há uma possibilidade de o projeto Viva Cultura, que propõe isenção fiscal para projetos culturais, ser votado antes da eleição. “Acabei de dar o parecer na CCJ e vamos aguardar que os vereadores se posicionem. Foi dado conhecimento prévio para que todos possam analisar”, diz.
Até o final do mês, projetos de vereadores (como nomeação de logradouros, medalhas e honrarias) devem ser votados, o que também é considerada uma forma de dar mais destaque aos edis para a corrida eleitoral. O advogado especialista em Direito Eleitoral Ademir Ismerim diz que aqueles que já têm mandato ficam na vantagem e, por isso, ele acredita que haverá pequena renovação na Câmara. “Essa é a lei do me eleja de novo. Com a escassez de recursos e menor tempo de campanha, quem está no poder é beneficiado”., afirma.
Impacto
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da oposição, diz que nunca teve financiamento empresarial, mas diz que mesmo assim está difícil para arrecadar. “A crise econômica acaba impactando. Vamos seguir fazendo jantar de adesão, disponibilizar conta para doação”.
Ela afirma que vai haver uma “desaceleração” nos trabalhos da Câmara, mas admite que as atividades podem dar visibilidade. “O vereador vai aparecer fazendo o seu trabalho”.
O líder do governo, vereador Joceval Rodrigues (PPS), tem uma visão mais otimista sobre a campanha, mesmo com as mudanças na lei. “Muitos estão ansiosos para receber o CNPJ (emitido a cada candidato pela Justiça Eleitoral) para colocar o bloco na rua”, afirma.
Joceval minimiza as dificuldades de arrecadação. “Minha campanha nunca teve grandes montantes. Para mim, aumentar ou diminuir tanto faz”, afirma, complementando que o corpo a corpo continua sendo o forte para vencer a eleição.
























