Reza de São Jorge 2016 acontece na Fazenda Passagem do Gado

 

Nesse sábado (23), aconteceu a centenária ‘Reza em louvor a São Jorge’, na Fazenda Passagem do Gado, Distrito de Patamuté, Curaçá-BA. Os organizadores do Evento promoveram cavalgada e momento religioso com cânticos católicos e orações em homenagem a Zezinho (José Tomás do Vale ou Zezinho da Barriga Preta), o qual organizou a primeira reza, juntamente com seu pai, Zeca (José) França, por ocasião de uma graça recebida: de acordo com seus familiares foi porque ele não queria participar, como soldado que era, da primeira guerra mundial (1915-1918). “Orou e pediu a São Jorge, que caso não fosse convocado, faria uma reza em seu louvor. Ele já havia sido chamado, mas foi dispensado. Sonhou que um homem montado num cavalo o defendia de outros homens que queriam levar ele. Ele disse que o homem montado era São Jorge e que tinha lhe pedido a reza. No mesmo ano que obteve a graça ele realizou, no dia 23, dia de São Jorge e até hoje acontece. Ele que trouxe de Bom Jesus da Lapa a imagem que fica no oratório”, revelou Renato Ferreira de Sena, parente de Zezinho, o qual, juntamente com seus familiares e amigos, recepcionaram mais de 500 pessoas entre devotos, vaqueiros e demais comunitários.

REZA1

Houve uma cavalgada pela manhã, da região da Fazenda Cachaqui até a Passagem do Gado. Vaqueiros vieram de várias regiões, inclusive de Uauá. Algumas pessoas aproveitaram para vender comidas e bebidas, mas no local da Reza, não era permitido a venda de bebidas alcóolicas. Idosos, jovens e crianças se misturavam entre os presentes. Público “diverso e de fervorosa fé”, como observou o Diretor Municipal de Cultura, Sérgio Ramos. O local onde se deu a Reza é pequeno, apertado, assim como é a vida do sertanejo, que mesmo diante de vários limites se mostra um vencedor, assim como foi Zezinho em sua graça. Nas paredes: as imagens de santos católicos. O oratório ao centro foi ponto de peregrinação de vários fieis que, diante da imagem de São Jorge, se ajoelharam, receberam, na cabeça, papel colorido picado, em alusão a uma unção ou benção; eles também faziam ofertas em dinheiro e beijavam a imagem. Enquanto isso, as rezadeiras entoavam cânticos, alguns peculiares com letra escrita em papéis antiquíssimos. “Tinha antes Dona Iaiá, que já faleceu. Mas as filhas deram continuidade, como: Uici, Maridete e Marize, que hoje é quem esteve rezando. É o pessoal que está enfrentando hoje ajudando a gente”, disse José França Sena, bisneto de Zezinho, o qual é um dos organizadores da Reza. Essa tradição persiste no tempo. Zeca França Neto, filho de Zezinho deu continuidade. Após sua morte, também assim fizeram as filhas (família França): Estercila, Ester, Esternila, Estercinda e ainda tinha Maria que faleceu. “Meu avô Zezinho morreu e ficou meu pai Zeca. Quando ele morreu, o pessoal pedia para não acabar porque era de meu pai também. Só teve no ano que ele morreu que nós não rezamos. Mas depois continuamos. Não moro mais aqui, mas nem que seja de pé, todo ano tenho que vir. A gente sempre tem o apoio das pessoas como Gigi”, expôs Esternila França. Giselda Souza (Gigi) falou do trabalho de organização do Evento. “Sou devota de São Jorge. Ele é um guerreiro. Antes, era tudo feito já aqui. Agora a gente planeja tudo antes para melhorar, com carro de som, que não teve esse ano, mais a gente trazia. Teve café da manhã e também cavalgada, pois São Jorge é um santo vaqueiro”, disse Gigi.

REZA2

A reza terminou por volta das 14h. “Além de ser católica e devota, o que me trouxe aqui foi o caráter familiar da Reza. Vinha com minha mãe quando menina, mas há 30 anos não vinha. E muito bom, reúne as comunidades” disse a Professora de História, Silvana Silvano.

REZA4

Informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Curaçá

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *