De como se segura o espaço da direita

Coluna Fogo Cruzado – 5 de setembro de 2019

Foto: Antônio Cruz/ABr

 

Praticamente todos os dias, Bolsonaro faz declarações em defesa de teses de direita, ainda que muitas delas, como a tortura, choquem setores democráticos e alinhados com a esquerda. Muito se discute nos meios políticos se o presidente da República faz isto por “estratégia eleitoral” ou se por que faz parte de sua personalidade. A tese mais provável é a segunda, já que Bolsonaro é muito impulsivo para se enquadrar em figurino traçado por marqueteiros. Basta ver a coerência dele em defesa de ex-ditadores como Augusto Pinochet (Chile) e Alfredo Strossner (Paraguai), contra a oposição na Argentina liderada pela ex-presidente Cristina Kirstner e de ataque à Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, filha de um militar chinelo assassinado pela ditadura.

Tem tudo a ver com suas declarações irônicas sobre gays, ONGs estrangeiras que atuam na Amazônia, governadores nordestinos (“Paraíba”), etc. E com seu ódio quase mortal a militantes e partidos de esquerda. Com isto, o presidente vai segurando o apoio do eleitorado conservador. E se o governador João Doria (SP) pensa em disputar com ele este quinhão, em 2022, pode tirar logo o cavalinho da chuva. (Inaldo Sampaio)

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