A loura do cemitério

Cada vez que veio a Guaranésia, me encanto com os causos mineiros que contam por aí. Nenhum é mais saboroso do que a loira do cemitério. Conto de acordo com o que ouvi, embora sem conseguir repetir o sotaque.

Fui no baile da Gelda. Ali vi uma moça mais nova sentada sozinha e pensei: hoje me dei bem. Fui lá e chamei a moça pra dançar. A moça dançava de mansinho assim, quase não mexia.

Aí perguntei se ela vinha sempre ali, ela respondeu que não, era a primeira vez. Arrisquei e disse a gente podia dar uma volta pela cidade. Ela respondeu: vamos lá no cemitério?

Meu cabelo ficou arrepiadinho. Aí fui prestar atenção na moça e vi que era muito pálida, branquinha demais. Prestei atenção na mão, meio molinha, geladinha. Começou a tremer as pernas, acho que estou com uma morta-viva.

Mas eu, que sou homem de enfrentar os perigos, não recuei.

– Uai, mas você quer mesmo ir lá?

– Quero.

– Então te levo lá.

A moça entrou no carro, conversava, falava pouquinho, era simpática, mas eu nem olhava pro lado dela, tremendo de medo.

Quando cheguei na praça em frente o cemitério, estava tudo iluminado, cheio de trailers de lanche. Aí eu lembrei que estava na moda o pessoal fazer point para comer lanche de madrugada na praça do cemitério.

Aí eu senti uma alegria tal, que desci do carro até pulando, paguei uns lanches e até dei uns beijinhos na moça.

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