Vice interino não tem mais sentido

Coluna Fogo Cruzado – 9 de setembro de 2019

 

O governador Paulo Câmara viajou sábado para Singapura (Ásia) e por imperativo constitucional passou o cargo para a vice, Luciana Santos. Teremos assim, pelos próximos 10 dias, esta esdrúxula situação: o governador fora do Brasil, praticando os atos que a função lhe confere e podendo comunicar-se a qualquer hora do dia ou da noite com qualquer um dos seus subordinados. Na capital pernambucana, teremos a vice respondendo interinamente pelo governo estadual, podendo igualmente assinar decretos, portarias, nomeações, exonerações, sancionar leis e representar o Estado nos eventos que achar necessário.

Será que não é chegada a hora de pôr fim a essa anomalia institucional, o Estado com dois governadores, um fora do país e outro dentro? Isso se justificaria se não tivéssemos a sofisticação que temos hoje na área das comunicações. A observação vale também para a esfera federal. O presidente Bolsonaro internou-se anteontem em São Paulo para submeter-se a uma pequena cirurgia e passou o cargo por cinco dias para o vice Hamilton Mourão. Era necessário? Absolutamente, não. Pois do quarto do hospital onde está internado o presidente pode exercer todas as prerrogativas do seu cargo e se comunicar com os brasileiros, como faz todos os dias, através das redes sociais. (Inaldo Sampaio)

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