E já que no Brasil a vida só começa depois do Carnaval, vamos dar a partida evocando uma declaração do governador Jerônimo Rodrigues semana passada, no lançamento da Operação Carnaval. Ele culpou a televisão pela sensação de insegurança e diz que acionou a Secom para rebater.
Então bastaria a televisão calar para resolver o problema? E o que dizer da fisioterapeuta Valéria Maria Cardoso, 37 anos, que na dobrada de 2021 morreu baleada na porta de casa, no Alto de Coutos? E o garoto Davi Lucas da Silva, 10 anos, que em agosto foi assassinado num tiroteio em Jauá? E da advogada Saadya Gomes Duarte, 29 anos, assassinada segunda em Salvador?
Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado revelou que só em setembro do ano passado houve 127 tiroteios, com 1121 baleados e 91 mortos.
Guerra errada —Noutra ponta, prefeitos dos quatro cantos da Bahia queixam-se que a cada dia estão perdendo mais espaços de governança para os bandidos. E entre nós paira a sensação de que a coisa só piora. Bairros antes calmos e tranquilos, agora são bocas quentes.
Em debates na Comissão de Direitos Humanos na Assembleia, pelo menos uma ideia, ainda embrionária, mas com simpatizantes em todos os segmentos (Justiça, PM, Ministério Público e afins) dá um caminho.
Ela dita que drogas não é caso de polícia e sim de saúde pública. Resulta que, no Brasil em 2021 morreram 8.500 pessoas vítimas das drogas e 40 mil na guerra contra as drogas. A televisão falar disso ao invés de prejudicar, ajuda. Para ver se alguém vislumbra uma saída.


























