Por Magno Martins
Raquelzista de carteirinha e a caminho do abraço da morte no palanque bolsonarista da governadora, o deputado João Paulo (PT) liderou uma rebelião na bancada petista na Assembleia Legislativa para boicotar o anúncio oficial do partido, sábado passado, ao ingresso na Frente Popular, unida em torno da candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado.
Ao mesmo tempo, não referendou o projeto de reeleição do senador e aliado histórico Humberto Costa. Trombou de frente com o partido. Mostrou que sua aliança branca com Raquel não tem volta. Arrastou o deputado Doriel Barros e a deputada Rosa Amorim, ambos forjados na luta sindical, nos movimentos sociais.
Entendo as razões de João Paulo. Foi um prefeito medíocre do Recife e morre de inveja do atual gestor. Soube que abriga uma porção de aliados no guarda-chuva do poder estadual. O fisiologismo vence o ideologismo em ocasiões assim. Mas Doriel e Rosa, não sei as razões. Só sei que, enrolados por João Paulo, passam uma borracha na história como militantes de esquerda, frustrando seus eleitores cativos.
Uma atribuição popular a um dos mais emblemáticos presidentes dos EUA, Abraham Lincoln, mas sem prova documental confirmada, cai como uma luva para os três deputados petistas dissidentes do palanque da Frente Popular de Pernambuco: “Você pode enganar muitas pessoas por algum tempo e algumas pessoas o tempo todo, mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.
João Paulo, Rosa Amorim e Doriel Barros falam, falam, falam e até agora não conseguiram apresentar sequer uma justificativa política razoável para suas posições de cães de guarda da governadora Raquel Lyra. O ex-governador Miguel Arraes dizia que quando um político se justifica demais, das duas uma: ou está buscando camuflar a verdade, ou perdendo a razão.
De fato, o argumento dos três, sustentando a tese de palanque duplo para o presidente Lula no Estado, através da candidatura da governadora, não se sustenta em pé. É uma retórica de viés fisiológico e oportunista. Raquel Lyra vai ficar em cima do muro. E ninguém sabe mais disso do que o trio dissidente. Até por questão de acomodação das forças políticas que acompanham a governadora.
Já estão abraçados com a reeleição de Raquel bolsonaristas raizes, entre eles Gilson Machado Neto, ex-ministro de Bolsonaro. Também os deputados Pastor Eurico, Mendonça Filho e Fernando Rodolfo, ou seja, a fina-flor do bolsonarismo no Estado. O eleitorado de esquerda de João Paulo, Doriel e Rosa vai aceitar esse samba do criolo doido à direita?
Seria mais honesto, intelectualmente e politicamente para os três deputados, assumirem o que é consenso para todos que sabem como funciona o jogo do poder numa campanha eleitoral disputadíssima para a reeleição à Assembléia Legislativa de Pernambuco: estrutura de cargos.
Que o Governo do Estado, aliás, dispõe para atrair até pseudos opositores. E nessa peleja do diabo contra o dono do céu, parodiando Zé Ramalho, a ambição derrota o caráter dos fracos.
Aliás, revela.




























