Baiano condenado por massacre em cinema vira escritor e lança livro sobre o próprio crime que cometeu

Mateus da Costa Meira hoje vive em Salvador sob acompanhamento médico

Por Carol Neves

Mateus da Costa Meira Crédito: Reprodução

O soteropolitano Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo ataque a tiros no Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, passou a se dedicar à escrita e lançou um livro digital sobre o crime que o tornou conhecido em todo o país.

Ex-estudante de Medicina, ele vem publicando de forma independente obras voltadas para casos criminais de grande repercussão. Entre os temas abordados estão os assassinatos de Isabella Nardoni, o caso Suzane von Richthofen e o massacre de Columbine, nos Estados Unidos.

Sua publicação mais recente é “Dentro da Escuridão: A Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira”, na qual revisita o atentado cometido por ele próprio. As informações foram divulgadas por Ullisses Campbell, colunista do jornal O Globo.

De acordo com o autor, a obra foi construída a partir de documentos públicos, laudos periciais, decisões judiciais e reportagens. No livro, Mateus também sustenta que a cobertura da imprensa não foi suficiente para explicar integralmente as circunstâncias que o levaram a praticar o ataque.

Um dos elementos que se destacam na narrativa é a escolha por contar boa parte dos acontecimentos em terceira pessoa, como se acompanhasse a trajetória de outro personagem, apesar de relatar sua própria história.

Relembre o caso

O atentado ocorreu em 3 de novembro de 1999, quando Mateus entrou armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping e abriu fogo contra o público. Três pessoas morreram e várias outras ficaram feridas.

Preso logo após o crime, ele recebeu inicialmente uma condenação superior a 120 anos de prisão, pena que mais tarde foi reduzida para 48 anos e nove meses.

Durante o período de encarceramento, passou por sucessivas avaliações psiquiátricas. Em um processo relacionado a uma agressão ocorrida dentro do sistema prisional, laudos apontaram diagnóstico de esquizofrenia paranoide, o que resultou em sua transferência para um hospital de custódia na Bahia para tratamento.

Depois de permanecer mais de dez anos internado, Mateus obteve autorização da Justiça para deixar a instituição em 2024. Atualmente, mora em Salvador e continua sob acompanhamento médico e psiquiátrico.

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