ACM e a Bahia africana
Na Bahia, forçados a obter um alvará de funcionamento na Delegacia Especial de Jogos e Costumes, subordinada à Secretaria de Segurança, os terreiros eram atacados justamente por quem, em tese, deveria protegê-los: as forças policiais.

Em Salvador, não raramente, os cultos terminavam com agentes quebrando instrumentos musicais e conduzindo os organizadores e participantes à delegacia.
Ao retirar dos terreiros a obrigatoriedade da licença e dos pagamentos de taxas, o governador Roberto Santos [1975-1979] capitalizou para si ainda mais a imagem de disseminador da cultura afro-brasileira.
Nada comparado, porém, aos feitos alcançados por Antonio Carlos Magalhães, governador da Bahia por três vezes e adversário político de Roberto Santos.
Ao adotar a exaltação da baianidade como política de governo, ACM apresentou ao país uma Bahia mais africana, alegre e colorida em meio às belezas naturais – é o que estampavam os anúncios da Bahiatursa (Empresa de Turismo da Bahia S.A.).
ACM pegou carona num movimento já em curso, ao valorizar a prática identitária em defesa das religiões de matriz africana que vinha sendo conduzida pelas próprias ialorixás.
Causa que durante o regime militar teve o reforço de Gil, e sua inegável contribuição para o reerguimento do afoxé Filhos de Gandhy.
Apesar de anticarlista, o músico aceitou o convite do governador Antonio Carlos para integrar o Conselho de Cultura do Estado da Bahia, em 1979, em plena ditadura. Foi muito criticado por isso, mas não recuou da decisão.
Ialorixás de peso, como Menininha do Gantois, Olga de Alaketu e Teté da Casa Branca, atenderam ao chamado de ACM e impulsionaram o movimento.

























