Briga de casal e corpo em freezer: a professora que matou o marido após ser proibida de ir em uma confraternização

Mulher chegou a registrar um boletim de desaparecimento para tentar despistar a polícia

Por Wendel de Novais

Claudia Hoeckler foi condenada pelo crime Crédito: Reprodução

O assassinato do caminhoneiro Valdemir Hoeckler, 52 anos, chocou o país pela crueldade e pela tentativa de ocultar o crime. Em novembro de 2022, ele foi encontrado morto dentro de um freezer na casa onde morava com a esposa, a professora Claudia Tavares Hoeckler, em Lacerdópolis, em Santa Catarina.

A investigação concluiu que ela matou o marido após ser impedida de participar de uma confraternização do trabalho e tentou encobrir o homicídio registrando o desaparecimento da vítima. Segundo a denúncia do Ministério Público, Claudia dopou o companheiro, amarrou seus braços, pernas e pés e o asfixiou com uma sacola plástica antes de esconder o corpo no freezer da residência.

Em agosto de 2025, após um júri popular que durou mais de 25 horas, ela foi condenada a 20 anos e 24 dias de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Confraternização

O caso começou a ser esclarecido após o depoimento da própria acusada. Na delegacia, Claudia contou que pretendia participar de uma confraternização de fim de ano com colegas de trabalho em uma pousada, mas afirmou que o marido havia proibido sua ida. A partir das investigações, a Polícia Civil apontou que a discussão entre os dois terminou no assassinato do caminhoneiro.

Cinco dias depois do crime, o corpo de Valdemir foi localizado dentro do freezer da residência do casal. A descoberta colocou fim às buscas iniciadas após a própria esposa procurar a polícia para comunicar o desaparecimento do marido. O desaparecimento foi registrado em 15 de novembro de 2022, depois que um colega de trabalho estranhou a ausência de Valdemir e alertou a família.

Claudia procurou a delegacia e informou que o marido havia sumido, dando início às buscas. Três dias depois, ela voltou à delegacia para prestar depoimento e, naquele momento, ainda era tratada apenas como testemunha. No entanto, policiais perceberam diversos ferimentos pelo corpo da professora, compatíveis com uma possível luta corporal.

Ela concordou em realizar exame de corpo de delito e permitir a perícia na residência, mas desapareceu antes que os procedimentos fossem concluídos. Diante da mudança de comportamento da mulher e das suspeitas levantadas durante a investigação, os policiais entraram na residência e encontraram o corpo do caminhoneiro escondido dentro do freezer. A partir daí, Claudia passou a ser investigada por homicídio e ocultação de cadáver.

Prisão

Após o corpo ser encontrado, Claudia se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na cidade de Joaçaba, onde foi presa temporariamente. Na ocasião, permaneceu em silêncio sobre o crime. A defesa informou que ela se entregou mesmo sabendo da existência de um mandado de prisão e sustentou que o homicídio teria ocorrido em um contexto de violência doméstica.

Posteriormente, ela chegou a obter liberdade mediante uso de tornozeleira eletrônica, mas voltou a ser presa preventivamente em 2025 após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), atendendo a recurso apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina.

Em outubro de 2023, a Justiça decidiu levar Claudia a júri popular pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A denúncia sustentou que ela dopou o marido, amarrou a vítima e a matou por asfixia antes de esconder o corpo e comunicar falsamente o desaparecimento.

O julgamento aconteceu em agosto de 2025 e mobilizou grande estrutura. Durante a sessão, realizada na Câmara de Vereadores de Capinzal, o freezer utilizado para ocultar o cadáver foi levado ao plenário como parte da demonstração dos fatos aos jurados. Após mais de 25 horas de julgamento, Claudia foi condenada a 20 anos e 24 dias de prisão em regime inicial fechado.

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