A história do Holiday

O edifício Holiday foi construído em 1957 e vendido como uma opção para veraneio em Boa Viagem. É o primeiro arranha-céu do bairro. Com o tempo, degradou-se. Tanto, que na próxima segunda-feira deve ser completamente interditado, devido a um alto risco de incêndio e à deterioração da infraestrutura.

O futuro do prédio – e dos proprietários dos seus 476 apartamentos – é incerto. Mas especialistas deduzem algumas alternativas possíveis entre a ação de atores públicos e privados.

Foi o primeiro grande edifício modernista da cidade e um dos primeiros do País. “Ele trazia a concepção de ‘máquina de morar’, que é até anterior ao modernismo, com os serviços embaixo e os apartamentos em cima. Ali o morador faria tudo, compraria sua comida, lavaria suas roupas. O discurso de venda era o de um investimento imobiliário para praia”, conta o mestre em desenvolvimento urbano pela UFPE Milton Botler. No folder original do prédio é anunciado: “a única maneira de evitar a inflação é comprar um imóvel.”

Foi rapidamente vendido, de acordo com o arquiteto especialista em conservação e restauração pela UFMG Jorge Tinoco. Ele percebe o contexto social do Recife como um dos responsáveis pela degradação do prédio. Naquela época não havia escola mista, os namoros eram muito pudicos e não existiam os moteis. “Os homens casados compraram os apartamentos para manter encontros extraconjugais. Era um motel para a classe alta. Eles tinham as chaves e elas ‘rodavam’, ou seja, o apartamento ia sendo emprestado entre os amigos. Foi de quando começou a estigmatização.”

O cuidado com o condomínio não era uma das preocupações da maioria. “O problema chegou a uma situação de perigo em que ninguém vai querer assinar e dizer que não há risco de incêndio ou que já se pode voltar a morar lá. Porque, se houver um desastre, a pessoa vai ter que responder criminalmente”, teoriza Tinoco. “Tornou-se um grande desafio da conservação da arquitetura moderna. As instalações elétricas estão caducas e obsoletas. Todas as instalações hidráulicas também. Na época da construção não tinha padrões de segurança como hoje. É preciso de reservas de água para combate a incêndio”

 

 

Valor Cultural e Social

Mas o Holiday também foi vendido como uma “jóia” da arquitetura e da engenharia. Não só pelo marco da verticalização, mas também por ter uma planta curva, complicadíssima de se calcular. “Poucos prédiosconseguem isso”, explica o conselheiro de Preservação do Patrimônio Cultural da FundarpeRodrigo Cantarelli. “Outros prédios, como o Califórnia e o Acaiaca, têm proteção municipal por serem exemplares do modernismo. Não há proibição de prédios particulares serem tombados. O Mirage, também em Boa Viagem, é protegido pelo Estado.”

Caso fosse protegido – o condomínio precisaria fazer o pedido à Fundarpe -, o prédio teria a chance de buscar recursos públicos por meio de editais de cultura para sua restauração. A também conselheira da Fundarpe, Terezinha de Jesus explica que o tombamento é um reconhecimento de que o bem tem valor e significado para o Estado. “O Governo pode, através da Fundarpe, orientar como realizar a manutenção, como cuidar. Mas, os editais, que chegam a oferecer R$ 250 mil com esse intuito, podem ser utilizados, caso se apresente um projeto sério e detalhado, com orçamento, responsáveis técnicos, o que se pretende fazer. Ainda é preciso ser vistoriado pela Fundarpe”.

Outra possibilidade do que poderia acontecer é lembrada por Milton Botler, que participou da criação do Plano Diretor do Recife atual, realizdo em 2008. “Acompanho há mais de 20 anos o Holiday e ele já apresentava esses problemas. Antes da criação das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) já discutíamos a ideia do Imóvel Especial de Interesse Social (Ieis), que está presente no plano. Aquele prédio, por exemplo, tem uma população maior que a favela da entra a pulso. E é mais fácil recuperá-lo que urbanizar uma comunidade, por exemplo. Botler conta que é função dos poder municipal identificar os Ieis e aprová-los na Câmara dos Vereadores. Para ele, a grandeza do Holiday é tal que os elevadores deveriam ser considerados e tratados como transportes públicos. E, sem proteção, é fácil de o setor imobiliário consegui-lo.

“O espaço é valioso. Em 2010, eu li uma matéria num jornal local com o título ‘Áreas pobres cercam Zona Sul’. Isso mostra como se entende que eles não fazem parte da Zona Sul, eles o cercam, são algo extra”, comentou o doutor em geografia humana pela Sorbonne Jan Bitoun.

Valor de Mercado

O futuro mais provável para o Holiday é justamente esse que envolve a iniciativa privada. A diretora do Conselho Regional de Corretores de Imóveis, Zélia Pereira, tem certeza de que o Holiday será modificado. “Muitos corretores compraram imóveis ali, porque sabem que aquele prédio terá outro propósito. É preciso que uma construtora forte compre os apartamentos ou negocie.”

Ela explica que há diferença financeira entre os moradores e isso faz com que o valor dos apartamentos flutue. “Para uma pessoa que não tem nada, R$ 9 mil é aceitável em troca do seu lar. Mas uma pessoa aposentada, por exemplo, com alguma renda, sem dúvida não aceitaria esse valor.” Segundo ela, é difícil comprar tantos apartamentos quantos os 476, mas não é impossível.

“A localização do produto é fantástica, tem muito valor. Se uma empresa retirar as invasões do terreno, revitalizar, reconstruir a fiação, organizar o elevador deteriorado… ele vai se tornar um edifício referência. Os apartamentos não valeriam menos que R$ 200 mil”, avalia.

Com investimento, a restauração é completamente viável segundo Jorge Tinoco, sumidade no assunto. Ele, que acabou de fazer um projeto de restauração das casas modernistas da Rosa e Silva, explica que há tecnologia para substituir instalações, elevador, realizar adequações e aplicar medidas de segurança modernas.

“A dúvida é quem vai pagar por isso e que uso vai querer dar no futuro. Precisa ser um que não o descaracterize. Na situação atual, o pergunta principal é a quem vai pertencer aquele prédio se expulsarem os moradores. Haverá um arremate público? A Prefeitura vai tomar para si? Se sim, vai restaurar ou botar abaixo? Vai criar um parque, um equipamento público ou vai vender?”, questiona.

Má fama

A fama decadente do Holiday precedeu por muitos anos a própria decadência do edifício. “Holiday é Holiday, né? Né isso que falam? Um lugar de prostitutas e traficantes? Parem de falar mal do meu Holiday. Isso aqui era a estrela de Boa Viagem. À noite, com as luzes todas acesas, nada brilhava mais. Nem a lua”, diz Josefa Pereira Costa, de 43 anos, que mora no local há 30.

Debruçada no parapeito, em frente ao apartamento da amiga, Josefa aponta um prédio azul e branco distante algumas quadras dali. “Eu trabalhava ali. Era o apartamento de um juiz. Eu vim do interior, Parnamirim. Conhece? Trabalhava de segunda à sexta arrumando a casa, e aí a mulher do juiz dizia para eu sair e me divertir no final de semana. Eu barbarizava”, lembra, entre risadas. “Eu tinha muitas amigas e a gente ia para a calçada. Eu tinha cada lapa de coxa grossa, você tinha que ver. Era bonita, nova. E gostava de transar. Transava muito, minha filha. Foi assim que tive sete filhos. A família do juiz até criou um, enquanto eu ia pra calçada ganhar dinheiro com outro bucho saindo pela boca.”

Josefa conta que levava os clientes que conseguia nos finais de semana em Boa Viagem para o Holiday. “Tinha uma pessoa que morava aqui e eu pagava pelo uso do quarto. Entende? Minhas amigas moravam aqui também, moramos juntas um tempo. A gente fazia a farra. Foi assim que cheguei ao Holiday”, lembra, explicando que passou por vários andares do edifício até conseguir o próprio apartamento, de número 1613. “Eu conheci um velho, que pegou muito amor por mim e pelo meu filho. Criou como se fosse dele. Ele me deu um kitnet. Eu tinha nada, então para mim é um apartamento de luxo. É meu apartamento de luxo. Saía da maternidade e vinha com meus filhos no colo para a minha casa. Eu tenho as fotos. Eu olho e choro”, pausa. “Fiquei baratinada com essa interdição.”

Apesar de não negar o seu passado, ela prefere encará-lo de outra forma. “O mais importante são essas lembranças. Fui muito feliz aqui, porque lembro de cada menino meu que eu trouxe nos braços e passei por aquela portaria. Eles cresceram aqui.” Hoje, Josefa mora com dois filhos, um de 18 e outro de 15 anos, e trabalha como diarista e lavadeira.

Preocupada com as contas, vai recorrer aos laços feitos lá atrás. “Eu vou para casa de uma amiga daquela época que se deu bem. Soube casar. Apartamento enorme, bonito. Mas não é o Holiday, não consigo pregar os olhos quando durmo lá”, contou, apressando os passos para ajudar na mudança de outros moradores. “Suba lá no 16º. Você tem que conhecer minha vizinha, dona Regina. Bata lá”, gritou já das escadas.

Solidão acolhida

Carinhosamente chamada por todos de dona Regina, Josefa Regina da Conceição Peterson, 63, vive no peculiar apartamento de número 1614. “Você precisa que eu soletre o meu sobrenome, querida? Ele é chique, né? É importado. Arrumei nos States”, explica, numa gargalhada. “Morei dez anos na América, minha filha. Morei oito meses de aluguel aqui no 827. Arrumei um gringo, casei e fui morar lá. Voltei porque estava com saudades e porque me divorciei. Não queria ficar naquele país sozinha. Voltei para o que é meu.”

Com problemas cardíacos, hipertensa e diabética, dona Regina explica que não tem parentes e não consegue ver futuro fora do Holiday. Quanto ao passado, a memória é falha e ela não consegue explicar bem. “Eu tenho a escritura escondida, porque aqui tem muita gente esperta.” Abre um armário marrom, de duas portas, que fica colado com a geladeira vazia. “Comprei esse kitnet em 1973. Quanto de tempo isso é? Também não sei quanto que paguei, veja aí”, pede, me mostrando o documento que indica o valor de R$ 9.754. “Mas na reportagem coloque R$ 10 mil ou mais, que é pra dar uma valorizada”, explode em uma gargalhada.

O kitnet de dona Regina estava bagunçado, indicando as dificuldades que ela enfrenta ao morar sozinha diante de todas as suas limitações de saúde. Logo na entrada, acima do sofá de couro sintético laranja, um lenço estampado com uma onça fica estendido na parede, assumindo a função de um quadro. Flutuando à frente, um balão feito de metal está enfeitado com laços de fita. Do lado de direito, uma cortina de conchas separa o banheiro do corredor, repleto de bugigangas coloridas e distribuídas em desordem. O corredor leva até o quarto que também é cozinha. No meio de tudo isso, muitos artigos de decoração. Na estante do cômodo estão pendurados sete óculos. “Na verdade são oito. Tem um perdido por aqui”, brinca. O bom humor de dona Regina é invejável em meio ao caos pelo qual passa o Holiday.

Ela é aposentada. Trabalhava de recepcionista no aeroporto de Brasília onde, segundo conta, se acidentou. “Passei 30 dias desmaiada. Tenho uma cicatriz enorme da perna.” Perguntada como veio parar no Recife e conseguiu comprar o apartamento, ela é taxativa. “Com dinheiro, óbvio”, e ri. No momento em que terminava de contar sua história, uma equipe da assistência social e da saúde da Prefeitura do Recife chegou ao apartamento a pedido de uma vizinha, a fim de avaliar a situação de dona Regina, que será levada para um abrigo. “Eu acho que tem coisa por trás dessa decisão, mas estão dizendo que querem ajudar, que é temporário. Já que é temporário eu vou, mas vou deixar minhas coisas para quando eu voltar, né?”, questiona, esperançosa.

Assim como ela, outros moradores solitários foram acolhidos pelo Edifício Holiday, a exemplo de José Antônio Filho, de 77 anos, único morador do 1723. “Eu estava enterrando minha mãe em Natal. Quando cheguei, dei de cara com essa notícia de interdição”, revela. Ele mora no prédio há 36 anos, assim que chegou na capital pernambucana vindo da capital do Rio Grande do Norte. Já ocupou os apartamentos 1519 e 1616. “Eu fui subindo. Aqui em cima é mais tranquilo.

Trabalhei por 23 anos na Compesa e quando me aposentei investi todo o meu dinheiro, de uma vida inteira, nesse kitnet. Paguei R$ 30 mil, há dois anos. Mas vale. Olhe essa vista.” A janela de José fica exatamente entre um vão formado por dois arranha-céus localizados à beira mar de Boa Viagem. “Eu vejo o mar todo dia. Veja se não é de partir o coração deixar isso para trás. Eu vou ficar até o fim, minha filha. Não vou abrir mão disso, não”, lamenta.

José não se diz preocupado em relação ao seu futuro. “Tenho uma filha em João Pessoa. É a pessoa mais próxima, mas não quero ir pra lá. Vou ver se vou para algum abrigo da Prefeitura, para poder voltar depois”, planeja. “Olhe, cada um que tente culpar alguém. Eu só sei que tenho as contas todas pagas. Por que cortaram a minha luz, se não devo?” De acordo com a Celpe, houve um problema na rede elétrica do prédio, que ficou sem energia no dia 06 de março. Os moradores relatam que o problema foi provocado pela Companhia, para que fosse realizada a suspensão no fornecimento. Desde então, José se viu obrigado a refazer a rotina. “Eu só desço uma vez por dia, quando desço. São 17 andares, muita coisa. À noite, quando abro a janela, tudo fica claro. Aproveito as luzes dos outros prédios e da lua. Também tenho uma lanterna, mas funciona com bateria, então não pega”, conta, enquanto passa um pente pequeno e amarelo nos cabelos grisalhos, se preparando para a foto. “Vão ter que me tirar daqui à força”, diz para si mesmo, de frente para um espelho pequeno em cima da cômoda.

José conta que ficou muito triste com a situação, mas que a indignação poderia ser pior, como a que ele sente pela situação do vizinho Inaldo Teixeira, de 49 anos. Ele comprou o apartamento também por R$ 30 mil, há apenas oito meses. “E ainda fiz duas reformas. Eu tenho outra casa, tenho para aonde ir. Mas gosto de morar aqui. Vivo nesse edifício há seis anos e nunca vi uma situação de violência. Não é puxando sardinha para o Holiday, mas é que eu nunca vi nada como isso aqui”, ressalta. Ele é pescador e não pensa em se afastar do mar. “Não sei ainda o que fazer, mas vou tentar vender, reaver parte desse dinheiro. Tem construtora interessada”, contou. “O prédio precisa de manutenção, mas não é isso que falam. A estrutura é boa. Mais fácil cair esses novos que tem por aí. Você tem que ver os apartamentos reformados. Vá lá no 10º. Tem um que nem parece que é do Holiday. Olhando para a porta, fica para o lado esquerdo.”

O amor nos tempos do Holiday

Pela porta entreaberta dá para perceber como o apartamento destoa dos demais. Bem maior e muito bem decorado. “É da minha nêga véia. Mas entre, eu gosto de contar nossa história.” Everaldo Araújo de Santana, de 58 anos, mora há 25 no Holiday. Ele morou, por muitos anos no apartamento de número 1019. “Ela está no trabalho. Queria que ela estivesse aqui para também contar como foi”, explica, tirando da parede da sala o retrato emoldurado dos dois. “Ela é essa aqui. Nos conhecemos aqui no Holiday.”

A “nêga véia” é Ana Maria Rodrigues do Santos. Trabalha como empregada doméstica. “Tem bem uns 30 anos que ela é doméstica de um doutor. Ajudou a criar os filhos e tudo. Mesmo que ser da família.” O patrão de Ana havia comprado dois apartamentos, o 1020 e 1021. “Ele que reformou isso aqui. Ampliou. Ficou bom, né? É um quarto e sala mais um kitinet”, explicou Everaldo.

“Ele passou para a nêga véia e a filha dela, Simone, comprou”, conta. Outros quadros distribuídos pelas paredes da sala ilustram a história com retratos de várias épocas. “A filha casou, foi morar na França. São dois netos que Ana tem, veja. Moram lá. Aí a filha foi e comprou esse apartamento do doutor para a mãe.”

Na época, Ana frequentava muito pouco o local, segundo Everaldo, porque ela tinha medo de ficar sozinha no local. “Quando eu vim morar aqui, primeiro eu aluguei o apartamento de Dona Zinha. O 1126. Ela um amor de senhorinha. Está viva até hoje. Coitada, vendo essa tristeza acontecer com o Holiday”, lamenta. “Depois eu comprei meu apartamento, o 1019. Trabalho com decoração. Então eu ficava no corredor cuidando das plantas, pintando os vasos. Foi quando a gente começou a trocar olhares, ir se falando”, lembra, sorrindo.

“E aí eu comecei a chama-la para fumar um cigarro. Ela começou a me chamar para comer umas bistecas que fazia. Olhe, as bistecas que a nêga véia fazia aqui nesse apartamento… Tenho a lembrança viva na minha cabeça até hoje”, diz, comovido com a recordação.

“A nêga véia mudou a minha vida. Não que eu fosse errado, mas às vezes eu desandava. Ela me ajudou muito, e eu a ajudei também. Eu adoro essa mulher, é uma pessoa incrível.” E assim os dois construíram o relacionamento, que já dura 10 anos. “É tudo tão estranho que ficamos perdidos no tempo, suspensos. Eu não entendo mais nada.”

Ele conta que o tratamento dado por parte das autoridades é desumano. “Esse juiz não é ser humano? Não sabe as várias realidades do povo? Como decreta assim, que a gente saia em cinco dias. Ele realmente entende o que significa essas pessoas todas saírem em cinco dias? Para aonde, meu Deus? Com que dinheiro? Cinco dias para desaparecer todas as pessoas”, questiona. “É pior do quê cachorro vira-lata.”

O juiz Luiz Gomes da Rocha Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, atendeu ao requerimento da Prefeitura do Recife e determinou, no último dia 12, a desocupação e interdição do edifício. O prazo se encerra no dia 19 de março. No dia 20, está permitido o uso da força policial para concretizar a evacuação.

“E as nossas histórias? Você consegue sentir? Eu cresci com o meu pai enfeitando a casa de bandeirinha no São João e fiz isso aqui pelo Holiday. Enfeitava tudo, em todas as épocas. Pergunte às pessoas, elas vão saber contar. Todo mundo aqui conta algo de bom do outro, você percebeu? Como que jogam tudo isso fora? Ainda mais sem energia… Vamos descer com tudo na cabeça?”, fala, indignado. Ele e a companheira vão continuar no prédio até serem retirados. “Seguindo até a orientação do doutor, nós vamos procurar uma casa. Mas, por enquanto, vamos seguir aqui.”

Dos 426 apartamentos do Holiday, 120 eram alugados. Os demais estavam ocupados pelos proprietários ou vazios. Ao todo, 53% dos apartamentos estavam inadimplentes com o condomínio. Juntos, eles batalham agora para levantar R$ 300 mil, que serão destinados aos reparos emergenciais que podem permitir a volta dos moradores ao local.

Da dívida inicial de R$ 10 mil que o prédio tinha com a Celpe, R$ 7 mil já foram quitados, graças aos esforços de quem não pretende abandonar o edifício. As informações são de Rufino Neto, síndico do Edifício Holiday e morador do apartamento 1601 havia 13 anos, que já providenciou a mudança. “Mas nós vamos voltar. Eu garanto.”

Modernismo e modernidade

“O prédio que será construído de acordo com as plantas pelo PMR e as presentes especificações, constrará de: Subsolo, pavimento térreo onde serão localizadas lojas e dezessete pavimentos com apartamentos; sobre o último destes será localizada a casa de máquina dos elevadore e o reservatório superior.

Situado no mais procurado local da aprazível praia de Boa Viagem, que é o corta jaca, entre o posto nº 2 de salvamento e a casa navio.

No subsolo serão localizadas as instalações sanitárias para os funcionários do condomínio, medidores de luz e força e incinerador de lixo.

Toda a estrutura do edifício será em concreto armado, o qual obedecerá às normas brasileiras que regulam o assunto, sendo o traço do concreto fornecido por meio de dosagem racional controlada na obra.

Enquadrada nos perfis do projeto, será executado alvenaria com tijolos cerâmicos vazados ou com blocos de argamassa de cimento, também vazados, empregando-se no seu assentamento argamassa de cimento e areia, traço 1:10.

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Todas as superfícies aparentes da estrutura de concreto armado serão chapiscadas com argamassa de cimento e areia ao traço 1:4; o revestimento interno será constituído de uma única massa executado com argamassa de cal preta e areia no traço 1:3, dosada com cimento; o revestimento externo será constituído de emboço executado com argamassa de cal preta e areia no traço 1:3, dosada com cimento, após o qual as paredes serão rebocadas com “durinte” em similar.

O Hall principal será pavimentado com mármore naxcional e terá as paredes revestidas com lambris também de mármore.

Halls, circulações e escadas serão pavimentadas com marmorite em cor natural com juntas de vidros.

As paredes dos gabinetes sanitários, cozinhas e kitnets levarão revestimento de azulejos brancos de 1ª qualidade até a altura de 1,50m.

Os sanitários, terraços, cozinhas e kitnets serão pavimentados com marmorite na cor natural levando juntas de vidro; as salas e quartos serão pavimentados com tacos de canela ou similar.”

Recife, 1950’s
Empreendimentos Real

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