A POLÊMICA RELAÇÃO ENTRE DOIS ÍCONES DE HOLLYWOOD!
Marlon Brando nasceu em 1924 e, muito antes de se tornar a figura mítica de Don Corleone em O Poderoso Chefão, já havia revolucionado o cinema com uma atuação visceral que mudou para sempre a forma de interpretar nas telas. Contudo, por trás da genialidade associada ao “Método”, escondia-se um homem de magnetismo absoluto, cuja virilidade exalava uma tensão tão fascinante quanto perigosa.
Registros históricos e biográficos contabilizam que ao menos 22 mulheres sucumbiram a colapsos emocionais profundos após o envolvimento amoroso com o ator.
Em sua própria autobiografia, o ator foi honesto ao reconhecer aspectos tóxicos de sua personalidade. Ele atribuiu essa natureza a uma infância devastada: um pai alcoólatra e violento que o diminuía constantemente, uma mãe também dependente do álcool que frequentemente o negligenciava, além do trauma central de ter sido abusado por sua babá.
Brando também viveu sua bissexualidade de forma incomum para os padrões da época, desafiando a Hollywood puritana do período. No auge da segregação racial nos Estados Unidos, ele chegou a desafiar as leis de Jim Crow ao manter relacionamentos com homens negros e ativistas. Também se envolveu com atores franceses e intelectuais do meio artístico.
Todavia, foi com o jovem James Dean, na década de 1950, que Brando teve uma das relações mais polêmicas dos bastidores de Hollywood.
Brando conheceu Dean em uma conferência em Nova York e, segundo amigos próximos, naquela mesma noite eles deram o primeiro beijo. De acordo com o biógrafo Darwin Porter, o deslumbramento de Dean era absoluto: ele idolatrava Brando a ponto de mimetizar cada hesitação em sua fala, o uso icônico das jaquetas de couro e até a maneira agressiva de pilotar motocicletas.
De acordo com a biografia James Dean: Tomorrow Never Comes, a relação entre os dois atores era pautada por uma hierarquia psicológica degradante.
Testemunhas como o compositor Alec Wilder e o diretor Elia Kazan afirmaram que não era raro ver Dean sentado na calçada em frente ao apartamento de Brando, em Nova York. O ator costumava ordenar que o jovem esperasse do lado de fora por horas, mesmo no frio. Enquanto Dean aguardava na calçada, Brando recebia outros amantes dentro do apartamento.
O aspecto mais bizarro dessa relação é que James Dean passou a ser visto em sets de filmagem e eventos sociais com marcas e cicatrizes evidentes nos braços e no tórax. Posteriormente, a biografia de Dean trouxe à tona a origem desses estigmas: Brando tinha o hábito de utilizar a pele do jovem ator para apagar seus cigarros durante seus encontros privados.
Nos bastidores mais obscuros de Hollywood, Dean passou a ser chamado por alguns de “cinzeiro humano”.
Quando James Dean morreu precocemente em um trágico acidente de carro, em 1955, pessoas envolvidas na preparação de seu corpo afirmaram ter notado diversas marcas de queimaduras de cigarro.
O destino reservaria a Brando um capítulo final marcado pelo isolamento. Apesar de ter deixado uma linhagem extensa com pelo menos 11 filhos reconhecidos com diferentes esposas e amantes, o número de herdeiros não foi suficiente para aplacar a solidão de seus últimos anos.
O homem que outrora dominava Hollywood terminou seus dias cada vez mais recluso em sua mansão em Mulholland Drive, cercado por tragédias familiares que devastaram seu clã. Entre elas, a condenação de seu filho Christian Brando pelo assassinato do namorado de sua meia-irmã Cheyenne Brando, que posteriormente tiraria a própria vida.
Marlon Brando faleceu aos 80 anos, em 2004, deixando para a história um legado paradoxal: de um lado, o brilho eterno de suas performances nas telas; do outro, as cicatrizes deixadas pelos bastidores de sua vida.