
Provas adiadas de um lado, ocupações mantidas do outro. E no centro de tudo, alunos divididos entre os que se consideram beneficiados e os que se veem prejudicados com a mudança no calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Como Vitor, de 18 anos, um dos ocupantes da unidade São Cristóvão do Colégio Pedro II. Para ele, uma única certeza: fará as provas neste fim de semana. Mas, às vésperas do exame, a questão que mais o preocupa não é de exatas ou de humanas.
— Será que a outra prova vai ser mais fácil que a minha? — pergunta, com ar de preocupação.
O mesmo questionamento foi feito pelo procurador da República Oscar Costa Filho, do Ministério Público Federal do Ceará. Ele alegou que a realização da prova em datas distintas fere a isonomia e pediu a suspensão do exame. O Ministério da Educação (MEC) discordou. A Justiça manteve, em decisão liminar, a realização das provas amanhã e domingo. Cerca de 8,7 milhões de estudantes estão inscritos em todo o país, mas 191 mil terão de fazer nos dias 3 e 4 de dezembro porque os exames estavam marcados para serem feitos em escolas ocupadas.
No caso de Vitor, porém, a resposta não será tão rápida quanto a da Justiça. O aluno do terceiro ano diz que “barrar as provas não estava na pauta” dos ocupantes do colégio, mas gostaria de “competir de igual para igual com os outros”. Ainda assim, tenta tirar da ocupação a responsabilidade sobre o adiamento do Enem.
— Vários dos nossos amigos serão prejudicados. Fizemos uma assembleia e decidimos desocupar o colégio para o Enem, mas o MEC não nos procurou para conversar — conta Vitor.
O MEC informou que não foi avisado sobre a decisão dos alunos.

Efeito dominó preocupa
Com as provas marcadas para o próprio Pedro II, Wesley, de 18 anos, vai esperar até dezembro para realizar o Enem. E o estudante enxerga pequena vantagem sobre os que farão a prova agora.
— Ter mais um mês para estudar faz diferença, sim. Não que eu vá aprender mais nesse período, mas ganho um tempo extra para revisar algum assunto — diz o estudante.
Apesar disso, Wesley não acredita que isso seria um fator determinante. Ele lembra que a preparação dos alunos não começou agora, mas há três anos, e revela outra preocupação.
— O que me assusta mesmo é o “efeito dominó”, porque isso vai atrasar o resultado do Sisu, a escolha e ingresso na universidade e até mesmo as datas das nossas provas finais aqui na escola.
Já Brenda, de 17 anos, não se preocupa com os alunos que farão a prova em dezembro. Para ela, o movimento de ocupação é mais importante que a data de realização do Enem.
— Toda luta tem seus prós e contras. E quem for fazer a prova deve estar preparado para qualquer coisa, seja a outra mais fácil ou mais difícil — diz a estudante, que também participa da ocupação e tem o exame neste final de semana garantido, já que fará em outro local.
Wesley, no entanto, discorda. Ele lembra que uma prova não envolve apenas dominar uma disciplina.
— Tem a questão da ansiedade. O Enem também é um teste psicológico, por toda a pressão envolvida, e isso pode me prejudicar — explica.

Site avisa sobre adiamento
Os 191 mil participantes do Enem que terão as provas adiadas para 3 e 4 de dezembro devem ficar atentos aos avisos do Inep. Na última quarta-feira, mensagens de texto via celular começaram a avisar aos alunos afetados. Mas o órgão federal responsável pela aplicação do exame avisa que as confirmações também podem ser obtidas no Portal do Participante.
A recomendação é que mesmo os alunos que não receberam o SMS devem acessar o portal para confirmar quando farão a prova. Outro meio para os alunos descobrirem se foram afetados é o aplicativo oficial do Enem.
Ao todo, são 304 locais de prova ocupados, entre escolas, institutos e universidades, em 126 municípios de 19 estados e no Distrito Federal.
No Rio de Janeiro, até o momento, dez locais tiveram o exame adiado (veja ao lado). Esse número, porém, pode mudar, já que o MEC divulga hoje uma lista atualizada com os pontos de realização do exame afetados.
O Inep ainda não informou quando vai divulgar os novos locais de prova. Estudantes que tiverem dúvidas podem acionar a Central de Atendimento do Inep pelo número 0800-616161. O atendimento por telefone tem funcionamento diário, entre 8h e 20h.
Uma das preocupações dos alunos que tiveram as provas adiadas é a coincidência da nova data com outros vestibulares pelo país, como o da Uerj, que está previsto para ser realizado no dia 11 de dezembro deste ano.
Fonte: Extra
























