Após oito anos de proibição, Guerra de Espadas será liberada em Senhor do Bonfim já no São João de 2026

Acordo firmado no Ministério Público define regras de segurança e legalidade para a realização da Guerra de Espadas no próximo período junino

Por Moyses Suzart

Guerra de espadas faz parte da tradição de Senhor do Bonfim

Guerra de espadas faz parte da tradição de Senhor do Bonfim Crédito: ACESB/Reprodução

Após oito anos de proibição, a tradicional Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim dá um passo decisivo para voltar a acontecer de forma legal, regulamentada e segura. Nesta sexta-feira (19), foi assinado, na sede do Ministério Público do município, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece as bases jurídicas e operacionais para a retomada da manifestação cultural, considerada uma das mais emblemáticas da cidade, que já poderá ser retomada no próximo São João, em 2026.

O acordo foi firmado pelos promotores de Justiça Felipe Pazzola e Isabela Santana, pelo prefeito Laércio Júnior, pelo presidente da Câmara de Vereadores Ary Urbano, pelo comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Nivaldo Mascarenhas, além de secretários municipais e do presidente da Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB), Alex Barbosa. A assinatura marca um momento histórico ao reunir, em um mesmo documento, espadeiros, poder público e forças de segurança.

Resultado de um amplo processo de diálogo, o TAC demonstra a possibilidade de conciliar tradição cultural, legalidade e responsabilidade. O documento deixa claro que não se trata de uma liberação irrestrita da prática, mas da construção de um modelo regulamentado, com regras definidas, fiscalização e critérios de segurança para que a Guerra de Espadas volte a ocorrer de forma organizada.

Entre as principais exigências previstas no acordo estão a realização do evento em local previamente autorizado, a apresentação de um Plano de Segurança e Contingência, a presença de atendimento médico e brigadistas, além da atuação integrada da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e dos órgãos de saúde. Caberá ao Município garantir a infraestrutura necessária e fiscalizar o cumprimento das normas estabelecidas.

Outro ponto central do TAC é a regulamentação dos artefatos utilizados. As espadas deverão ser fabricadas de acordo com normas técnicas específicas, com certificação regular e fiscalização do Exército Brasileiro, medida considerada essencial para reduzir riscos e assegurar a integridade dos participantes e da população.

Com a assinatura do termo, a Guerra de Espadas inicia uma nova fase em Senhor do Bonfim. O desafio, a partir de agora, será avançar na certificação dos artefatos e consolidar um modelo que permita a preservação dessa tradição como patrimônio cultural, respeitando a legislação e priorizando a segurança coletiva.

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