Por Larissa Rodrigues
O ato de lançamento do prefeito do Recife, João Campos (PSB), como pré-candidato ao Governo do Estado, ontem (20), na Zona Sul da capital, foi mais do que um evento para dizer oficialmente à população que ele vai concorrer ao Palácio do Campo das Princesas. Foi o pontapé inicial do grupo socialista à corrida e deixou evidentes algumas das estratégias a serem usadas em busca da vitória.
A primeira e mais óbvia é o reforço na narrativa de que o palanque de João Campos é o palanque do presidente Lula (PT) em Pernambuco, esvaziando, desde já, a tese de palanque duplo para o petista, em caso de apoio da governadora Raquel Lyra (PSD) a Lula. Mesmo que Raquel declare que votará no presidente e abra seu palanque para ele daqui a alguns meses, o grupo de João já terá associado à imagem do chefe do Poder Executivo, porque montou uma chapa com aliados lulistas e fez questão de cravar a defesa da reeleição de Lula.
“Eu estou muito seguro do time que a gente está construindo. Aqui a gente tem o palanque do presidente Lula, um time que tem lado, posição, clareza política daquilo que a gente acredita. Esse time daqui vai vencer as eleições em Pernambuco, vai vencer as eleições no Brasil”, declarou João Campos, acrescentando um recado direto à Raquel: “Nós não vamos fazer jogo oportunista, jogo sem posição, porque quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho funciona. Para a gente não é assim. A gente sabe onde quer chegar. A gente quer Luiz Inácio Lula da Silva reeleito presidente do Brasil”.
Outra estratégia explícita é a do saudosismo da época de prosperidade vivida por Pernambuco, quando o pai de João, o ex-governador Eduardo Campos, governou o Estado com o presidente Lula no poder. O prefeito vai evidenciar que Pernambuco pode viver esse tempo novamente sob sua gestão e com a reeleição de Lula. “A gente viu o tempo que Lula e Eduardo cuidaram de Pernambuco e do Brasil. Vamos reinaugurar esse tempo”, frisou Campos.
Mais sutil neste momento, porque a campanha, de fato, ainda não começou, ficou nítida também a intenção de colar na governadora Raquel Lyra a pecha de perseguidora, ou em bom pernambuquês, arengueira. “A gente vai poder mostrar ao povo que não adianta você ter briga política, você ter uma construção de perseguição a adversários, de carregar ódio no povo”, afirmou o prefeito.
João Campos ainda vai usar como mote a perda de protagonismo de Pernambuco no Nordeste e a dificuldade de fazer entregas do governo de Raquel. O prefeito afirmou que um Estado forte não pode perder oportunidades para outros irmãos de região e ressaltou: “É preciso ter força e compromisso. É preciso ter capacidade política e de gestão. Não adianta só falar, é preciso fazer”.
Sobre o PT – O prefeito fez questão de ressaltar seu respeito ao ritmo interno do PT e suas decisões. “Primeiro é importante deixar muito claro todo o meu respeito ao PT, à condição interna do PT. Eu queria saudar, em nome da senadora Teresa Leitão, que está aqui hoje, uma querida amiga, uma grande senadora de Pernambuco, a todos do PT”, afirmou. Campos reforçou que houve muitas conversas com o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, e com o presidente estadual, Carlos Veras.



























