“Brasil tem médicos suficientes, mas há uma má distribuição”, aponta deputado

Médico especializado em Ortopedia e Traumatologia, o deputado federal Allan Garcês (PP-MA) é autor de um projeto de lei que pretende instituir um exame para avaliar a formação dos profissionais, a exemplo do que faz a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com três décadas de atuação, ele exerce seu primeiro mandato como parlamentar, tendo a saúde como principal bandeira. Em entrevista à Magno Martins, ele desmente a ideia de que o número de médicos no Brasil é insuficiente, uma das principais queixas da sociedade em pesquisas de opinião.

“O número de médicos não é insuficiente. Nós estamos numa média acima do que é preconizada hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nós temos médicos suficientes. O que existe no Brasil é uma má distribuição desses médicos. Tem muitos médicos concentrados em um determinado local e poucos concentrados em outros locais. Na região Norte do país, existe uma concentração menor. Já nas regiões Sudeste e Sul, existe uma concentração maior da classe médica. Então o que tem que ter aí também é uma forma de melhor distribuir esses médicos no território nacional”, afirmou Garcês.

Segundo ele, um exame de proficiência médica se faz necessário por conta da formação dos profissionais, o que já foi identificado pelo Conselho Federal de Medicina. “Temos estudos, inclusive, de formação precária de escolas médicas. Só para ter uma ideia, no Brasil hoje temos 436 escolas médicas. A nossa população gira em torno de 220 milhões. A proporção de médicos está acima do que é preconizado pela OMS, que é de um médico para cada mil habitantes. Nós estamos com 2,8, quase três para cada mil pessoas. Então nós temos uma quantidade de médicos que dá para dar um suporte para o nosso Brasil. Mas, mesmo com isso, as escolas médicas continuam sendo abertas, já que, dessas 436 citadas, cerca de 64% são escolas médicas de universidades privadas, e muitas com avaliação 1 ou 2”, ressaltou o parlamentar.

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