Centenário de morte de um médico santo

Coluna Fogo Cruzado – 6 de novembro de 2019

 

A Bíblia e o bisturi, do pastor Edijéce Martins, e Protestantismo em revista, do professor e teólogo José Roberto de Souza, lançados recentemente no Recife, abordam a vida do médico norte-americano, radicado em Canhotinho, no agreste pernambucano, George William Butley. Ele veio para o Brasil na segunda metade do século XIX para pregar o protestantismo e aqui se notabilizou como um dos mais fantásticos reverendos que a Igreja Presbiteriana já produziu. Natural de Canhotinho, o ex-governador Eraldo Gueiros deu um depoimento sobre ele para o livro do pastor Edijéce, que é algo emocionante.

Ele conta, por exemplo, que o viu muitas vezes fazer cirurgias de amígdalas com auxílio de uma colher de sopa e amputação de pernas sem anestesia geral, sem esquecer as duas grandes obras que edificou no município: um hospital e um colégio. Foi, como já se esperava, profundamente incompreendido pelos católicos, que chegaram inclusive a armar uma cilada para assassiná-lo, porém não se intimidou e continuou a dar assistência médica inclusive aos que o tratavam com intolerância. O Dr. Butley teve entre os seus pacientes o fazendeiro italiano Antonio Caetano Perazzo, radicado em São José do Egito e avô do ex-presidente da Compesa Luiz Gonzaga Perazzo. Caetano foi operado com sucesso de um câncer de próstata, que na época era de difícil solução até nos centros médicos mais evoluídos. Oportuno, portanto, que a vida deste médico santo tenha sido lembrada pelos dois autores no centenário do seu falecimento, em 1919, em Canhotinho, onde repousam os seus restos mortais. (Inaldo Sampaio)

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