CNV evita polêmica com Jair Bolsonaro

Mesmo tendo sido atacada, gratuitamente, pelo ex-capitão Jair Bolsonaro, a Comissão Nacional da Verdade não quis polêmica com o presidente da República. Bolsonaro pôs em dúvida a isenção dos seus membros para investigar os crimes praticados por agentes do estado durante o regime militar pelo fato de os seus 7 membros terem sido indicados por Dilma Rousseff. “É a mesma coisa que colocar sete traficantes do Morro do Alemão para julgar o Fernandinho Beira Mar”, disse o então deputado Bolsonaro em 2012 após a instalação da Comissão.

Para refrescar a memória dos leitores, os membros da CNV são da mais alta reputação moral e intelectual, a saber: Paulo Sérgio Pinheiro (ex-secretário de Direitos Humanos do governo FHC), José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Gilson Dipp (ex-ministro do STJ), Cláudio Fontelles (ex-procurador geral da República), Maria Rita Kehl (psicanalista) e José Paulo Cavalcanti Filho (ex-secretário-geral do Ministério da Justiça). Eles poderiam, coletivamente, ter dado uma resposta à altura ao presidente da República, mas talvez tenham chegado à conclusão de que não valeria a pena. Mesmo assim, José Carlos Dias falou por todos: “Eu ficaria assustado se ele (Bolsonaro) aprovasse o trabalho que desvendou muitos atos até então escondidos pelo regime militar”. (Inaldo Sampaio)

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