Empresário de João Gilberto foi informante da ditadura militar na USP
Reportagem na Folha conta a história de Krikor Tcherkesian, empresário — um faz-tudo, define— de João Gilberto por quase 20 anos.

Há um aspecto de sua vida, porém, ignorado até por amigos íntimos. No começo dos anos 1970, Krikor foi chefe do serviço de informação da ditadura militar instalado na USP.
Relatório da Comissão da Verdade da instituição, divulgado no final de março, aponta que ele comandou a Assessoria Especial de Segurança e Informação (Aesi) da universidade, cuja missão era monitorar professores e alunos.
Criado na gestão do reitor Miguel Reale, o órgão produziu documentos difundidos para as Forças Armadas, o SNI (Serviço Nacional de Informações), o Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo) e polícias.
“Em muitos casos, a vigilância resultou em prisão, morte, desaparecimento, privação de trabalho, proibição de matrícula e interrupção de pesquisa acadêmica”, diz a comissão. (…)
“Os comunistas atuavam direto lá, queriam fazer a cabeça dos alunos”, diz Krikor. “Então, quando um professor era indicado para uma vaga, a gente levantava a vida do cara. Se o camarada tivesse participação em atividades terroristas, tivesse passado por Cuba ou China, era vetado.”
Não tinha como João Gilberto ter uma velhice tranquila.



























