Enquanto Ivete é denunciada por “chupar pescoço”, O Kanalha embala o Oscar com a “cabeça na chibata”
Do Correio
O conteúdo do verão em Salvador nunca foi para amadores. Neste ano, até demorou, mas não falhou, e a primeira questão está aí pra quem quiser estudar. De um lado, temos Ivete Sangalo enfrentando uma denúncia feita ao Ministério Público da Bahia por ter convidado uma criança ao palco para dançar seu novo hit, “Vampirinha”. O argumento é de que a letra tem “conteúdo impróprio”. Do outro lado, Danrlei Orrico (O Kanalha) vê sua música “O Baiano tem o molho” ser alçada a hino da identidade baiana, embalando a campanha de Wagner Moura rumo ao Oscar. Situação fascinante, não é? Eu acho.

Observe que o “molho” de um é “poesia regional”, enquanto a “fuleragem” da outra é vista como “atentado aos bons costumes”. Ivete, em sua composição, brinca com o lúdico do Carnaval: “é noite de lua cheia e as vampiras tão solta, com um toquinho de roupa descendo com o dedo na boca”. É uma letra boba, uma estética que remete ao “Conde Draculino”, de Durval Lelys, onde a maior transgressão é prometer “chupar seu pescoço”. Já O Kanalha, em sua “exaltação à baianidade”, é explícito e anatômico: “nós já nasce com a pimenta na cabeça da chibata”, ele diz. Para essa frase (e todo o resto da letra), não há interpretação alternativa possível. Se eu fosse ingênua, estaria até agora sem entender por que a “chibata” dele é celebrada e o “pescoço” dela é alvo de denúncia.

























