Por Larissa Rodrigues
A milícia digital articulada por um suposto gabinete do ódio pernambucano, que, segundo o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alepe), Álvaro Porto (PSDB), é operada de dentro do gabinete da governadora Raquel Lyra (PSD), tem o mesmo modus operandi do gabinete do ódio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A estrutura da gestão bolsonarista foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e de investigações do Supremo Tribunal Federal (STF). O núcleo funcionava dentro do Palácio do Planalto, durante a gestão Bolsonaro, para espalhar notícias falsas e atacar adversários do ex-presidente.
As investigações apontaram que esse grupo era composto por assessores de comunicação do clã Bolsonaro e recebeu ajuda clandestina de membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para divulgar notícias falsas sobre membros dos Três Poderes e jornalistas.
O presidente da Alepe afirmou, em discurso na tribuna da Casa, na última quarta-feira (20): “A milícia digital palaciana vem sendo operada pelo assessor do gabinete (de Raquel) Manoel Pires Medeiros Neto”, que é jornalista e trabalha há anos com a vice-governadora, Priscila Krause.
No governo de Jair Bolsonaro, segundo a PF e o STF, o gabinete do ódio contou com a Abin para espionar pessoas consideradas pelo ex-presidente inimigas. Em Pernambuco, Álvaro Porto declarou que Manoel Medeiros “é o mesmo assessor que foi citado em denúncia grave apresentada à OAB, na semana passada”.
“Naquela denúncia, Manoel e uma prima, a advogada Manoela Álvarez Medeiros, são acusados de atuar num esquema de obtenção irregular de informações para depreciar oponentes do governo. Ela estaria acessando processos do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, mediante uso indevido de credenciais de terceiros, e repassando informações a Manoel. Ele, por sua vez, estaria usando as informações para atacar opositores do governo nas redes sociais e por meio de blogs próximos do Palácio do Campo das Princesas”, acusou Álvaro Porto.
Se no caso das milícias digitais bolsonaristas os alvos eram principalmente membros do STF, mas também políticos, em Pernambuco os ataques foram direcionados sobretudo a deputados de oposição ao governo de Raquel e Priscila. Álvaro Porto enfatizou: “nós, deputados e deputadas, estamos no alvo desta rede criada e administrada pelo gabinete da governadora”.
Assim como os bolsonaristas faziam, em Pernambuco o suposto gabinete do ódio também estaria usando a internet como instrumento. Na semana passada, a deputada Dani Portela (Psol) denunciou na tribuna da Alepe a existência de uma rede de dezenas de perfis de redes sociais articulada e financiada “para distribuição de conteúdos positivos para a governadora e ataque a figuras públicas e políticas do Estado e até do Governo Federal”.
Primeiro a cair – No seu discurso na tribuna da Alepe, a deputada Dani Portela apontou que “um dos membros mais atuantes da rede de perfis é o ex-candidato a vereador pelo atual partido da governadora (PSD) e foi nomeado em março de 2025 para cargo no governo estadual”. Trata-se de Thiago da Silva, também conhecido como Professor Thiago ou Thiago do Uber. Na última quarta-feira (20), ele foi exonerado da gestão.

Segundo a cair – Ontem (21), quem deixou o governo de Raquel e Priscila foi Manoel Medeiros. Ele postou um texto nas redes sociais entregando o cargo e afirmando que foi vítima de violência política e que vai recorrer à justiça “para reparar essa perseguição com uso de aparato público”. “Como visto e amplamente noticiado, estou sendo vítima de um baixíssimo golpe de violência política patrocinado pelo presidente do Poder Legislativo estadual simplesmente porque agi livremente, como um cidadão deve viver numa democracia”, declarou o ex-assessor.

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