Idade da pedra: terremoto revela que Pirâmide do Egito foi construída muito antes de Cristo, diz estudo
Novo método de medição de desgaste das pedras indica que pirâmide tem 25 mil anos
Agência Correio

Alberto Donini defende que monumento foi apenas restaurado pelo faraó Khufu Crédito: Nina/Wikimedia Commons
Um forte terremoto ocorrido no ano de 1303 pode ser a chave para desvendar a idade real de Gizé.
O engenheiro italiano Alberto Donini utilizou marcas de desgaste nessas pedras para propor uma cronologia surpreendente. Segundo o novo estudo, publicado recentemente no repositório científico Zenodo, a pirâmide de Quéops pode ter mais de 20 mil anos.
Entendendo a medição do tempo
A técnica batizada de REM analisa como o clima corrói as rochas ao longo das décadas.
Donini observou que o calcário da base sofreu erosão de formas diferentes após a perda do revestimento. Portanto, essa diferença de tempo serve como um relógio geológico natural e preciso.
O pesquisador comparou áreas que ficaram ao ar livre desde o início com as que se expuseram recentemente.
Assim, ele conseguiu estabelecer um parâmetro de comparação sobre o ritmo do desgaste. Esse cálculo utiliza a física e a estatística para estimar o passado remoto.
Sinais de milênios nas superfícies
O desgaste no calcário não ocorre de maneira única, apresentando variações conforme o elemento causador.
O estudo destaca os pites, que são buracos minúsculos formados por umidade e sais minerais. Essas marcas indicam um longo processo de interação química entre a pedra e o ambiente.
Por outro lado, a erosão uniforme retira camadas da rocha de maneira mais homogênea.
O vento carregado de areia é o principal responsável por polir o monumento dessa forma. Ao medir essa perda de espessura, o engenheiro consegue calcular quanto tempo a pedra sofreu exposição.
Números que desafiam a história
O pesquisador selecionou doze áreas distintas na parte inferior da estrutura para realizar suas medições.
Cada ponto revelou dados específicos sobre o desgaste acumulado, levando em conta a posição de cada bloco. Logo após, Donini consolidou essas informações em uma análise estatística abrangente.
Os dados sugerem que a construção aconteceu entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C.
Essa estimativa coloca o monumento em uma era muito anterior ao reinado tradicional de Khufu. Dessa forma, a média calculada de 22.900 a.C. quebra os paradigmas da arqueologia convencional.
Variáveis que pedem cuidado
Embora a técnica seja inovadora, o autor admite que existem limitações significativas no processo.
Ele explica que fatores modernos, como a chuva ácida, podem ter acelerado a erosão nos últimos anos. Além disso, o contato humano constante também impacta a integridade das pedras originais.
Outra questão relevante é a variação climática ocorrida no Egito durante os últimos milênios.
Períodos mais úmidos ou secos alteram a velocidade com que o calcário se desgasta. Consequentemente, o estudo deve ser visto como um indicativo de grandeza e não um veredito final.
O faraó Khufu foi um restaurador?
A conclusão do estudo levanta uma possibilidade que pode mudar os livros de história.
Donini propõe que a pirâmide já estava lá quando o Egito dinástico surgiu no deserto. Assim, Khufu teria apenas restaurado o monumento antigo e tomado para si a autoria da obra.
O engenheiro italiano pretende agora levar sua pesquisa para outros pontos do planalto de Gizé. Ele acredita que ampliar a base de dados trará mais segurança para o método REM. O objetivo final é confirmar se o desgaste das rochas segue o mesmo padrão histórico.

























