Nascida em 27 de julho de 1740, a francesa Jeanne Baret se tornou a primeira mulher a circum-navegar o mundo no século 18. Teve uma infância pobre em Borgonha, região centro-leste da França.
Não se sabe ao certo como aprendeu a ler e o que aconteceu durante sua juventude, mas por volta dos 20 anos seus pais já haviam morrido. Ela, então, foi contratada para trabalhar como empregada e cuidadora do naturalista Philibert Commerson, por quem se apaixonou e casou. Commerson era quase 13 anos mais velho e já havia trabalhado como médico e cientista quando foi convidado para participar de uma expedição que seria comandada pelo explorador e estudioso Louis Antoine de Bougainville. A má notícia para Baret é que, naqueles tempos, mulheres não podiam participar de viagens do tipo. Foi aí que Bougainville contou a Commerson que ele poderia levar um assistente. Com o apoio do marido, Baret se disfarçou de homem e embarcou.
Durante a viagem, Commerson desenvolveu uma infecção em uma das pernas e, por isso, não conseguiu continuar suas análises sozinho. Quando aportaram no Brasil, por exemplo, Baret teve grande atuação na investigação científica da expedição: recolheu amostras de plantas, as analisou e as levou para a embarcação para que o marido pudesse estudá-las também. A viagem seguiu até que, ao chegarem no Taiti, ilha que faz parte do arquipélago da Polinésia Francesa, no Oceano Pacífico, a tripulação descobriu a verdadeira identidade de Baret. Após ser acusada e atacada ao longo do restante expedição, a francesa e seu marido aportaram em Porto Luís, capital das Ilhas Maurício, no Oceano Índico. O casal se estabeleu no país africano com a ajuda do governor local, que era francês.
Juntos estudaram e classificaram uma grande quantidade de plantas presentes em Porto Luís e em outras ilhas próximas. Commerson faleceu em 1773 e Baret se viu desamparada financeiramente. Conheceu Jean Dubernat, um oficial não comissionado do Exército Francês, com quem se casou em 1774. O casal acabou retornando à França e, assim, Baret concluiu sua circum-navegação do globo. A botânica não foi reconhecida em vida e morreu em 1807, aos 67 anos.
Texto Revista Galileu