João do Vale e Chico Buarque numa cena marcante
Em 1981, Chico Buarque, pela primeira vez na vida, desempenharia o papel de produtor. Atendendo a um pedido do compositor e cantor João do Vale, Chico estrearia numa nova função: a produção de um LP que marcaria o retorno do músico ao mercado discográfico. Longe do grande público há uma década e meia, João do Vale – nascido em Pedreiras, no Maranhão, e na época com 46 anos – vivia então uma espécie de renascimento artístico. Depois de ter sido um dos destaques do show Opinião, em meados dos anos 60, João do Vale aparentemente submergiu para só voltar aos palcos já naquela época, apresentando-se na Sala Funarte e também como uma das atrações da casa de show Forró Forrado, no Catete.
João do Vale, então, era, segundo ele mesmo garantia, autor de mais de 400 composições – “foi quando parei de contar”, revelava –, algumas de grande sucesso como Peba na Pimenta, Pisa na Fulô, Na Asa do Vento e, principalmente, Carcará, imortalizada na voz de Maria Bethânia. De Chico Buarque, João do Vale era próximo desde a década de 60, um tempo em que os universitários da Mackenzie, de São Paulo – Chico entre eles – se reuniam no Bar Quitanda, local onde João do Vale costumava bater ponto para beber algo antes de ir se apresentar no Opinião.
Quase 20 anos depois, João do Vale voltava a ter um protagonismo artístico. O pedido a Chico havia sido feito durante a viagem a Angola. Convite aceito, a produção da gravação transcorreu sem problemas, João do Vale ficou feliz e se sentiu homenageado, e o disco foi lançado reunindo um elenco estelar arregimentado por Chico: Tom Jobim (em no Pé do Lajeiro), Amelinha (em Estrela Miúda), Fagner (em Bom Vaqueiro), Jackson do Pandeiro (em O Canto da Ema), Zé Ramalho (em Morceguinho, O Rei da Natureza), Clara Nunes (em Oricuri, Segredo do Sertanejo), Gonzaguinha (em Fogo no Paraná), Nara Leão (em Pipira), Alceu Valença (em Pisa na Fulô) e, claro, Chico Buarque, interpretando Carcará, ao lado do autor.