MPF denuncia Júlio Lóssio por suposto desvio de recursos públicos no São João de Petrolina

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-prefeito de Petrolina Júlio Lóssio (PSD) e outras 14 pessoas por supostas fraudes em licitações e supostos desvios de verbas públicas federais e municipais nas edições do São João da cidade nos anos de 2012 e 2013.
De acordo com os procuradores, o esquema era supostamente liderado pelo ex-prefeito e teria causado um prejuízo de R$ 5,7 milhões aos cofres públicos. Valor ainda não atualizado. A denúncia é um desdobramento da Operação Midsummer, deflagrada em 2014.
Júlio Lóssio governou Petrolina por dois mandatos, entre 2009 e 2016, pelo MDB, partido que deixou para se filiar à Rede Sustentabilidade para se candidatar a governador do Estado nas eleições de 2018. Após ter se aliado ao coronel Luiz Meira, o ex-prefeito teve um pedido de expulsão do partido pela composição com um nome ligado ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Neste ano, filiou-se ao PSD e é cotado para disputar novamente a prefeitura do município.

Segundo o MPF, o ex-prefeito e o ex-secretário de Finanças da cidade Júlio Lóssio Filho, tio do ex-gestor do município do Sertão, integraram uma suposta organização criminosa junto com outros ex-gestores públicos e empresários para fraudar cinco processos licitatórios e dois processos administrativos de inexigibilidade de licitação. Ainda de acordo com a denúncia, os desvios beneficiaram os participantes do esquema e outros envolvidos.
As contratações teriam equipamentos para a estrutura dos shows e de artistas que se apresentaram no São João do Vale.
Os autores da ação penal são os procuradores da República Filipe Albernaz Pires, Elton Luiz Moreira e Ticiana Andrea Nogueira.
Na denúncia, os procuradores apontam que as supostas irregularidades praticadas envolveram superfaturamento de preços, restrição à competitividade em licitações, uso de pareceres jurídicos não aprovados ou falsificados, direcionamento de contratações, realização de pagamentos sem licitação e beneficiamento indevido de representantes de empresas intermediárias.
Em nota enviada à imprensa, o ex-prefeito Júlio Lóssio classificou a denúncia do MPF como “absurdo equívoco” e negou qualquer irregularidade. “Diferente de alguns, que fazem da política um meio de vida e de acúmulo de patrimônio, tenho absoluta tranquilidade de que durante os oito anos em que estive à frente do município de Petrolina, procurei agir com correção e respeito ao bem público”, diz o ex-prefeito.
Confira a nota na íntegra
“Durante os oito anos em que tive o privilégio de dirigir o Município de Petrolina, procurei me dedicar de corpo e alma à melhoria de vida dos que mais precisam e, de modo especial, a cuidar dos sem teto e das crianças.
Graças a Deus, todo o meu patrimônio tem origem nas receitas que obtive antes de me tornar prefeito. Consigo explicar todos os meus bens e cada centavo na minha conta e de todos da minha família.
Diferente de alguns, que fazem da política um meio de vida e de acúmulo de patrimônio, tenho absoluta tranquilidade de que durante os oito anos em que estive à frente do município de Petrolina, procurei agir com correção e respeito ao bem público.
Durante a nossa gestão, resgatamos o São João da nossa cidade e fizemos Petrolina entrar na rota nacional do turismo junino, realizando uma das maiores festas do Brasil. Até quem antes nos criticava e acusava, hoje se rende aos frutos gerados por aquele trabalho que começou lá atrás e que ainda rende bons resultados para a nossa cidade.
Diante disso, recebo com muita tranquilidade a notícia veiculada na imprensa no dia de hoje.
Meus advogados já estão adotando todas as medidas necessárias e tenho a absoluta certeza de que, no decorrer do processo, iremos demonstrar de forma cabal e clara o absurdo equívoco dessa denúncia.
Respeitosamente,
Julio Lossio”
Fonte: JC



























