O “Carrasco Fortunato”, Cadeia Pública de Ouro Preto, 1884

Fortunato José, o maior carrasco brasileiro, em uma fotografia no ano de 1884, sozinho e já morto ou agonizando à beira morte, dentro de uma cela em Ouro Preto, MG.

A história é manchada de sangue, mas é a nossa história. Corria algum dia de 1884 quando o homem de 73 anos que estava atrás das grades na cadeia de Ouro Preto, onde hoje funciona o Museu da Inconfidência, fechou os olhos para sempre.
Seu último suspiro levou consigo as lembranças das 87 vidas que ele executou, a mando de autoridades do Brasil Império (1822-1889), em forcas espalhadas por 29 cidades de Minas Gerais e em duas do Rio de Janeiro.
Ele próprio forneceu a relação das execuções que consumara até 1874 (d’então em diante não as houve mais no Brasil), tendo sido as primeiras em Ouro Preto, no ano de 1833, no dia de Natal! As vítimas foram dois desgraçados escravos. Declarava Fortunato que essas primeiras execuções lhe repugnaram, repugnância que reaparecia sempre que era forçado a enforcar mulheres!… Quanto aos homens, ‘ficou habituado a cumprir a sua obrigação insensivelmente!…’
Essa foi a saga do negro Fortunato José, o escravisado que virou um dos principais carrascos do país. Morreu repetindo que era um “funcionário público” mal remunerado.

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