Blog Do Magno Martins
Depois de quebrar um ciclo de 16 anos de um mesmo partido no poder, a governadora Raquel Lyra (PSD) chegou ao Palácio do Campo das Princesas, em 2023, cercada de expectativas. Tinha a chance de construir uma marca e iniciar um novo ciclo político, consolidando-se como a maior liderança do Estado e, certamente, vindo a colher resultados que lhe dariam uma reeleição tranquila.
Porém, em vez de aproveitar essa oportunidade, Raquel se perdeu em picuinhas. No segundo dia de governo, promoveu uma exoneração em massa de ocupantes de cargos comissionados, o que é praxe, mas concentrou nela própria a análise curricular de mais de dois mil substitutos para essas funções, o que chegou a deixar alguns órgãos paralisados por mais de seis meses.
Em paralelo, tentou interferir em processos internos da Assembleia Legislativa como na eleição do deputado Álvaro Porto (PSDB) como presidente e na indicação de dois conselheiros para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Acabou derrotada nessas ocasiões, o que foi consolidando uma impressão de fragilidade na articulação política que nunca mais se descolaria de seu governo.
Aos prefeitos, disse que 2023 seria o ano do “não” e fez jus a isso ao suspender dezenas de convênios e convocar servidores estaduais que estavam cedidos às prefeituras. Mas assegurou que 2024 seria o ano do “sim”, com o primeiro orçamento elaborado por sua gestão e já com R$ 3,4 bilhões em empréstimos autorizados para aportes em infraestrutura, saneamento básico e segurança.
Mas 2024 teve mais do mesmo e findou sem Raquel deixar nenhuma marca na gestão. E, na política, o resultado foi ainda mais desastroso, com seu candidato terminando uma eleição em quarto lugar no Recife e a oposição conquistando o mesmo número de prefeituras que seu partido de então, o PSDB. A ela restou apostar todas as fichas em seu terceiro ano, que seria de entregas após a conclusão de licitações feitas ao longo de dois anos de arrumação da casa.
Oito meses já se passaram e o que se percebe é que a situação se agravou em 2025. Atrasos na entrega de fardamentos e kits escolares, associados a entraves gerenciais no programa Ganhe o Mundo, macularam uma área que era referência em Pernambuco. O Juntos pela Segurança não conseguiu impedir que o Estado fosse o quarto mais violento do país, segundo levantamento recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. E, na saúde, a reforma do Hospital da Restauração, prometida para 2026, não passou nem da metade.
Raquel também viu sua força se esgarçar de vez na política. Seu governo não conseguiu barrar a conquista das principais comissões da Alepe pela oposição e não conteve a CPI do Bilhão, instalada para apurar supostas irregularidades em contratos de publicidade da gestão estadual e a existência de um “Gabinete do Ódio” para atacar adversários da governadora, como revelado pelo meu blog em junho.
Na semana passada, Raquel teve que abrir mão de um fiel escudeiro – o assessor especial Manoel Medeiros – após a apresentação de provas de que ele preparou um dossiê com acusações que a deputada Dani Portela (PSOL) diz serem falsas, o que jogou a crise dentro do Palácio do Campo das Princesas.
Para completar o cenário infernal, duas novas pesquisas seguiram trazendo más notícias para Raquel. A primeira, divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas em 12 de agosto, mostrou sua distância de mais de 30 pontos em relação ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), líder na corrida ao Governo de Pernambuco em 2026.
Já na semana passada, a pesquisa Genial/Quaest indicou que Raquel caiu quatro pontos na comparação com o levantamento anterior do mesmo instituto e que é a governadora com o maior índice de desaprovação do país, de 45%.
Com essa sequência de reveses, as esperanças de seus poucos apoiadores começam a se dissipar e vão desenhando um fim melancólico para um governo que nasceu sob muitas expectativas. Qualquer promessa de que vai acontecer a famosa “virada de chave” – prometida para 2024 e 2025 – terá sua credibilidade comprometida após o uso à exaustão desse argumento sem que resultados concretos tenham aparecido.
Por enquanto, uma coisa é certa: em vez de ano da reação, 2025 já pode ser considerado o pior ano de Raquel.
QUEBRA DO SIGILO – independente da sua performance durante o depoimento na CPI da Publicidade, o jornalista Manoel Medeiros, ex-assessor direto da governadora Raquel Lyra (PSD), terá seu sigilo bancário e telefônico quebrado, por força de pedido da CPI. Tudo para que seja investigado se agiu, no episódio da arapongagem, trocando mensagens com a governadora ou a vice-governadora Priscila Krause, a quem é ligado e por ela foi indicado para trabalhar assessorando Raquel em questões que parecem não serem republicanas.

Sem mexer na composição – Além de ser em primeira instância, a liminar do juiz que anulou a travessia partidária do deputado Diogo Moraes, do PSB para o PSDB, não impede o funcionamento da CPI da Publicidade, porque todos os seus integrantes já foram eleitos, segundo um advogado especializado em Direito eleitoral. A cúpula tucana, por sua vez, está otimista quanto à derrubada da liminar na instância superior, o Tribunal de Justiça.

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