Márcio Didier

A Câmara dos Deputados vive (u) uma tarde que digna da mais medíocre das câmaras municipais, nesta terça-feira (8). Um jogo de manobras e falta de senso invadiu o Conselho de Ética da Casa e o plenário da Casa. Sem entrar no mérito das decisões tomadas, a postura dos parlamentares envergonhou quem assistiu às duas sessões e mostrou como está rasteira a nossa política.

Nada justifica a ópera bufa encenada por alguns deputados no julgamento da admissibilidade do pedido de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Alguns poucos parlamentares aliados do peemedebista ficaram protelando a sessão, de forma patética, com argumentos rasteiros, quase infantis. Mas conseguiram mais uma vez atingir o objetivo, que é o de empurrar com a barriga a cassação de Cunha, fato que parece cristalizado.

Vencido pelo horário da sessão plenária, o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), transferiu a votação para esta quarta-feira (8), quando, espera-se, enfim seja votado o pedido de abertura do processo de cassação, que vem sendo adiado há mais de um mês.

Mas o pior ficou para a sessão plenária, quando ficou definida qual a composição da comissão que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Como os partidos de oposição ofereceram uma chapa alternativa para o colegiado, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, encaminhou a votação secreta, com corte do áudio e nenhum debate, para revolta dos governistas. Fez ouvidos moucos para quem pedia votação aberta. O que seria até um sinal de transparência do processo. Mas esperar o quê desta Câmara Federal.

Para completar, após o anúncio do resultado, a oposição festejou efusivamente, como se não houvesse amanhã, como o time tivesse vencido o campeonato mundial.  Do lado governista, os parlamentares gritavam “olha o japonês”. Era uma referência a uma eventual prisão de Eduardo Cunha por um policial federal de ascendência asiática que aparece em quase todas as prisões da Operação Lava Jato. Compostura zero, de oposicionistas e governistas.

Mas o mais grave em todo esse jogo de poder é constatar que a maioria que está ali não olha além do próprio umbigo. Nem um centímetro adiante. O País se acabando, afundado numa crise moral, ética e econômica sem fim. Os indicadores do País derretendo. E os deputados preocupados apenas e tão somente em manter ou tirar Cunha no poder ou cassar ou não a presidente Dilma. Uma patuscada que o Brasil já está sentindo os efeitos. E só tende a piorar.