Os mestres que influenciaram o professor

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Já imaginou ser professor? Pouca gente pensa em seguir a carreira, tanto que os vestibulares para as licenciaturas, aquelas que formam os mestres,  são os cursos menos concorridos no vestibular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e assim é também na maioria das faculdades. No entanto, todos os anos, vão para os bancos das instituições universitárias centenas de jovens que têm em comum um sonho na vida: lecionar, seja português, química ou física, biologia, matemática ou música, educação física, geografia ou história.

A frase “ensinar é um dom” parece explicar a existência de seres que dedicam seu tempo a espalhar conhecimento. Outra boa explicação é o fato “quase” comprovado de que é a magistratura que escolhe quem vai seguir a carreira e não o contrário. No entanto, o dom parece surgir quando em contato com professores que transformam a rotina da sala de aula em uma verdadeira viagem em busca do saber. Quase todo professor se encantou, na época de estudante, com um mestre fascinante: engraçado, dinâmico, inovador e amigo ou nada disso, mas meticuloso, genial, exigente e capaz de descobrir talentos até no aluno mais tímido. A escolha, quase sempre, surge daí.

Às vezes, o futuro professor vem de uma família de mestres, como é o caso do professor de química dos colégios Motivo, Cognitivo e São Luís, Gilberto Mesquita. “Eu sou da terceira geração de químicos da família”, conta. Segundo ele, seus avós paternos tiveram 18 filhos e todos os homens se formaram em química. Um dos tios do pai dele, Ivan Leôncio d’Albuquerque, se tornou um importante cientista e professor da UFPE. Foi um dos co-fundadores do Instituto de Antibióticos do Recife, que hoje funciona dentro do departamento de química da universidade. “Ivan dedicou a vida dele aos estudos da química”, lembra.

“Desde pequeninho, o pessoal dizia que eu seria químico. Mas tive influência também da minha mãe. Quando era criança, ajudava  ela a corrigir as provas”. Durante o curso de licenciatura, na UFPE, teve mais um professor que o inspira até hoje, Arnaldo Rabelo de Carvalho, que apresentou-lhe a química como deveria ser tratada em sala de aula. “Todos eram muito apaixonados pelo que faziam. Era impressionante a entrega que eles faziam à profissão”, analisa.

COLEGA DO ÍDOLO – Manuela Amorim fez o ensino médio no Motivo. Se formou em 2003 e prestou vestibular para turismo na UFPE. Chegou a se formar, mas queria trocar de carreira. Foi aqui que voltou para o Motivo, dessa vez aluna do cursinho pré-vestibular. Queria fazer economia. Alguém não concordou. “Você escreve muito bem, tem afinidade com o português. Já pensou em fazer uma licenciatura?”  Era o professor de redação Mário Sérgio. Outro episódio contribuiu para uma mudança de planos, a professora de literatura Graça Migliorine entrou em sala perguntando: “quem vai fazer licenciatura?” . Manuela ficou chocada: ninguém havia levantado a mão. “Na hora que fui me inscrever, desisti de economia e me inscrevi em Letras”.

Na faculdade, fazia estágio no Motivo e era assistente do professor Mário Sérgio. Se formou em 2011 e  ensina no ensino fundamental I do mesmo colégio em que viveu tantas fases da vida. “Agora eu sou colega de trabalho dele”, diz, toda orgulhosa. “O que mais me impressiona tanto em professor Mário Sérgio quanto em professora Graça é que são muito apaixonados pelo trabalho e gostam de estudar a matéria deles. Mário é muito querido, uma pessoa fora do comum”, conta Manuela, que sempre lembra um dos exemplos do professor, que  costuma ser bastante amigo dos estudantes. “Tento me aproximar dos alunos, saber da vida deles fora da escola”, diz. Quem sabe um dia Manuela não será essa mestra que fará alunos quererem seguir seus passos?

Fonte: NE10

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