‘Peço desculpas à família e ao Brasil’, diz guia indonésio sobre Juliana Marins
Jovem de 20 anos falou pela primeira vez sobre o caso que terminou com a morte da publicitária de Niterói no Monte Rinjani
Por Tharsila Prates

O guia Ali Musthofa e Juliana Marins Crédito: Reprodução
O guia de turismo indonésio Ali Musthofa, de 20 anos, pediu desculpas à família de Juliana Marins, a quem acompanhava na subida ao monte Rinjani antes da queda fatal da publicitária em junho, e também ao Brasil e aos indonésios. Ele deu entrevistas a canais do YouTube, divulgadas na última sexta-feira (1º).
“Sinto muito por tudo que aconteceu. Se eu pudesse voltar no tempo, eu arriscaria minha vida ao máximo para tentar salvar Juliana, mas Deus quis diferente, então peço desculpas à família dela, à grande família do júri e ao povo do Brasil pelo meu fracasso. E aos indonésios me desculpo por fazer a Indonésia parecer mal nessa situação”, disse o jovem.
Ele contou ainda que pediu permissão a Juliana – que estaria mais atrás do grupo e pediu uma pausa – para alcançar os da frente na trilha e checar se estavam bem. “Queria dar água e biscoitos. Sabia que estariam com fome no topo”, relembrou o guia. Nesse momento, ele confirma que a jovem se sentou e que disse a ela: “Vou esperar você lá”.
Mas, segundo ele, depois de esperar, Juliana não veio e o jovem resolveu voltar. Na entrevista, ele afirma também que o local de descanso é seguro. “Por isso, dei a ela esse lugar. É seguro para descansar.” Ele volta a dizer que parou na frente, esperando que Juliana o alcançasse. Esperou por cerca de meia hora, disse ele, momento também em que aproveitou para fumar.
Quando retornou ao ponto em que ela estava, Ali Musthofa disse que não a viu, apenas enxergou uma lanterna a 150 metros abaixo do ponto onde ela deveria estar. “Tive a sensação de que era a Juliana. Entrei em pânico.”
Ainda de acordo com Musthofa, quando percebeu que ela havia caído, ele gritou para que ficasse parada e não se movesse. “Ela só conseguia dizer: ‘Help me’ [me ajude, em inglês]”, relatou.
Em um primeiro momento, Juliana estava a cerca de 200 metros da trilha – o local exato foi confirmado por imagens de drone feitas por turistas. No final, após as buscas, o corpo de Juliana foi resgatado por uma equipe repleta de voluntários, que chegaram a dormir pendurados no penhasco para conseguir alcançar a jovem – ela já estava a cerca de 600 metros da trilha. Segundo o pai da vítima, Manuel, quando foi localizada novamente por drones, no dia 23 de junho, dessa vez “aparentemente imóvel”, Juliana já estava morta.


























