Pesquisa diz que enviar mensagem durante o sexo é permitido

Uma pesquisa publicada na Revista Wired apontou que 10% das pessoas abaixo dos 25 anos não vê nada de errado em enviar mensagens para outras pessoas durante o sexo. Mensagens. Durante. O. Sexo. Nada de errado?!

Pode parecer que estou fazendo campanha contra a tecnologia (começando pela minha experiência sem Whatsapp) mas, na verdade, é apenas uma reflexão de quem se assustou ao ler o texto citado. A tecnologia (especialmente os smartphones) nunca nos dominou tanto e, se não pararmos para definir os limites, nossos relacionamentos com as pessoas ao nosso redor (sejam familiares, amorosos ou até de trabalho) podem ser prejudicados sem que a gente perceba.

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Ainda na matéria da Wired, a psicóloga Sue Johnson (criadora da Terapia Focada nas Emoções) afirma que as tecnologias nos aproximam sim das pessoas, mas, ao mesmo tempo, criam relações mais supérfluas pois diminuem ações de uma verdadeira conexão social, como uma simples conversa frente-a-frente. “Mensagens [SMS, Whatsapp] estão ligadas a volume, velocidade e ações multitarefas – o que significa a divisão de atenções”. Isso quer dizer que, quando você responde a mensagem de alguém no Whatsapp enquanto assiste televisão, por exemplo, não está com as atenções 100% focadas na pessoa e pode ser que esqueça o que ela está dizendo poucos minutos depois. Mas vamos voltar à cena onde é ok enviar uma mensagem durante o sexo.

Os 10% que citei no início do texto crescem para 22% se for durante uma reunião e 49% se for durante uma refeição. Isso significa que, se 10 pessoas estiverem almoçando juntas, praticamente a metade delas irá parar de comer e interagir com os demais para responder uma mensagem ou verificar alguma notificação do aparelho de celular. O raciocínio é o mesmo quando tiramos uma foto da comida e publicamos no Instagram antes mesmo de começarmos a apreciar o prato – o universo digital invadiu nossas relações de uma forma que vivemos em “cell-fishness” (brincadeira que a revista criou com as palavras cellphone, celular, e selfishness, egoísmo).

Os números caem quando a amostragem está acima dos 25, mas permanecem relevantes. Volto a dizer que isso não é uma campanha contra a tecnologia, mas uma reflexão: como bem finaliza a revista, a tecnologia diminuiu nossa consciência de que precisamos de conexões emocionais íntimas. Em um bom relacionamento, se conseguimos desligar a tela, conseguimos dizer o que realmente importa para nós e, assim, construir uma verdadeira conexão. E mensagem durante o sexo?! Não, por favor. (Portal Tag It)

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