Prefeito de Camaçari questiona operação contra Wagner e destaca ausência de medidas contra Flávio Bolsonaro: ‘foi quem recebeu dinheiro’

Luiz Caetano comenta operação que mira senador e sugere motivação política por trás das ações da PF em Camaçari  |   Bnews - Divulgação Domingos Junior / BNews – BNews TV – Arquivo/BNews

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O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), defendeu o senador Jaques Wagner (PT-BA) na madrugada desta terça-feira (23), durante os festejos de São João no município localizado na Região Metropolitana de Salvador, ao comentar a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o parlamentar baiano.

Em entrevista ao BNews, o gestor pediu cautela, levantou suspeitas sobre possível motivação política na ação e comparou o caso com denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo ele, não resultaram em medidas semelhantes.

“Qualquer operação, qualquer situação desse tipo, a gente tem que esperar a justiça se pronunciar para poder a gente se pronunciar. Eu confio muito no Wagner, acho o Wagner uma figura fantástica. Ele tem uma grande imagem na Bahia, trabalhou e trabalha muito pela Bahia. Então, vamos esperar toda a apuração, né? Para ver se atrás disso não está uma articulação política. Eu achei estranho, por exemplo, que o nosso opositor foi quem recebeu o dinheiro e a operação vai exatamente para a casa do nosso senador, que é o líder do governo no Senado Federal. Então, tem mais algo atrás disso? Bora buscar, fazer com que as coisas apareçam para poder a gente poder dar o nosso depoimento”, afirmou.

Operação mira Wagner e levanta suspeitas
A 9ª fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, relator do caso. A Polícia Federal (PF) aponta indícios de suspeitas como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas relacionadas a pessoas e empresas ligadas ao antigo Banco Master.

Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador. Houve apreensão de valores em espécie e menções a um imóvel de alto padrão em Salvador, além de registros de viagens e repasses que estão sob investigação.

Jaques Wagner nega irregularidades. O senador afirmou que o imóvel citado não é de sua propriedade e que os valores em espécie correspondem a diárias de viagens oficiais. Ele também declarou estar à disposição para prestar esclarecimentos.

Comparação com caso envolvendo Flávio Bolsonaro
Segundo reportagens do The Intercept, o senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao dono do banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as publicações, há mensagens e documentos indicando solicitações de recursos e negociações para financiamento do filme “Dark Horse”, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As reportagens apontam que o banqueiro teria repassado cerca de R$ 61 milhões a R$ 62 milhões para a produção. Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado os recursos, mas depois confirmou o pedido, mantendo a negativa de irregularidades.

Apesar disso, até o momento, ele não foi alvo de medidas no âmbito da Operação Compliance Zero.

Prefeito elogia Jerônimo Rodrigues durante São João
Durante a entrevista, o prefeito também comentou a atuação do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), em meio aos festejos juninos e ao período político.

“Jerônimo é uma figura fantástica. Jerônimo, ele fez uma coisa muito boa pela Bahia. Tá ligado com a população. Ele governa a Bahia a partir do município, em cada canto desse estado. E é um estado grande, é um estado bonito. A Bahia é muito bonita e Jerônimo faz a Bahia”, avaliou.

A fala foi feita enquanto o gestor acompanhava a programação de São João em Camaçari, evento que reúne moradores e visitantes em diferentes pontos do município.

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