Por: Magno Martins
Faltando apenas um ano e dois meses para a eleição que tentará a reeleição, em outubro do ano que vem, a governadora Raquel Lyra (PSD) continua patinando nas pesquisas. O levantamento do Paraná Pesquisas de ontem, no qual o prefeito do Recife, João Campos (PSB), seu provável adversário, aparece com uma dianteira de 36 pontos – 57% a 24% – repete praticamente o do Opinião, contratado por este blog, em junho passado.
A média, aliás, varia entre 36 e 40 pontos de vantagem para o socialista. Já expliquei neste espaço e vou repetir: o nó da reeleição de Raquel é a Região Metropolitana, que concentra quase metade do eleitorado do Estado, precisamente 44%. Nela, João detém números impressionantes de intenção de voto, algo em torno de 76%, enquanto a governadora tem apenas 24%.
Para reduzir essa disparidade numa região marcada pelo perfil de um eleitorado extremamente exigente, maltratado pela onda de violência crescente, desemprego alarmante e saúde em frangalhos, ações que dependem diretamente do Estado e bem menos da União e dos municípios, não será nada fácil, até porque o tempo já está exíguo. A estratégia de levar o Governo para o Interior, como forma de buscar mais visibilidade, como tem feito, logo após o primeiro baque nas pesquisas, é ineficaz.
Ineficaz porque qualquer cidade do Interior só há dois lados na política: a corrente do poder, representada pelo prefeito, e a da oposição. Mesmo raciocinando com a hipótese incerta de que a governadora consiga arrebatar o apoio da maioria dos prefeitos, as oposições, em qualquer município, transferem para João pelo menos entre 35% e 40%. Sendo assim, as chances de Raquel superar a desvantagem na Região Metropolitana são próximas a zero.
Com quase três anos de gestão, a governadora não ganhou a confiança da população, nem tampouco sua gestão convence. Com exceção de algumas coisas pontuais, como estradas, creches e cozinhas comunitárias, seu governo é um tremendo engodo, inodoro e insípido. A própria gestora, por onde passa, deixa uma péssima impressão, uma mistura de autoritarismo com antipatia, o que é fatal em política.
DESAPONTAMENTO GERAL – Outro fator agravante para a governadora: desconheço um só segmento da sociedade satisfeita com a sua gestão e o seu modo de governar. Professores, médicos, donos de hospitais, policiais, servidores públicos em geral, enfim, torcem o nariz quando ouvem falar na possibilidade da governadora ser reeleita. Na semana passada, ao ser reconhecido por um grupo de policiais da PM em Pesqueira, fui bombardeado de críticas e reclamações quanto ao tratamento dado pelo Governo à categoria.

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