Reitoria formaliza representação da denúncia de abuso de autoridade em revista policial a professor da Univ
Denúncia do professor Nilton de Almeida será tratada, institucionalmente, pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) junto à Corregedoria da Polícia Militar e ao Governo do Estado da Bahia. O docente afirma ter sido algemado e estapeado,em abordagem policial,sem Justificativa.

O reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Julianeli Tolentino de Lima esteve na última terça-feira (1º), no Comando de Policiamento – Regional Norte, em Juazeiro (BA) para encaminhamento de ofício referente à denúncia de abuso de autoridade policial contra servidor da Univasf, o professor do Colegiado de Ciências Sociais, Nilton de Almeida Araújo. Eles foram recebidos pelo corregedor major Wellington Bastos. Na ocasião, também foi promovida oitiva do professor Nilton de Almeida, que em depoimento à Corregedoria ratificou a denúncia de agressão durante abordagem a que foi submetido, no último sábado (28/11), entre 10h e 11h da manhã, nas proximidades de sua residência, em Juazeiro. A Reitoria da Univasf também encaminhou à Secretaria de Relações Institucionais da Bahia (Serin), oficio, no qual solicita que a secretaria acompanhe os procedimentos de investigação.

A notícia da agressão ao professor da Univasf ganhou repercussão na comunidade, no meio acadêmico e também na imprensa. Logo que soube do episódio, relatado pelo professor Nilton, o vice-reitor Telio Nobre Leite usou as redes sociais para denunciar o fato em sucessivas publicações, compartilhadas por seguidores, motivando mensagens de solidariedade em diversos comentários sobre o caso. No mesmo dia, o reitor Julianeli Tolentino manifestou, em nota oficial, a indignação da comunidade acadêmica, e antecipou, em seu perfil de rede social, o apoio da universidade na interlocução com o Comando da Polícia Militar e com o Governo do Estado da Bahia.
Em um dos trechos da publicação, o reitor destaca: “O professor Nilton, organizador do Mês das Consciências Negras na Univasf e um dos maiores representantes do movimento negro na nossa região, foi brutalmente abordado, ferido física e psicologicamente durante uma ronda, uma ‘abordagem policial’ na rua onde mora, em Juazeiro-BA, diante de toda a sua vizinhança! Mas os responsáveis não passarão impunes, o comando da Polícia Militar e o Governo do Estado da Bahia serão oficialmente acionados e exigiremos providências imediatas!”.
Conforme relato do professor Nilton, ele ao ser abordado por quatro policiais, nas proximidades de sua residência, recebeu ordem de parar o veículo que dirigia para procedimento de revista. Ele enfatiza ter sido algemado e conduzido preso em uma viatura, até a delegacia, e que durante a abordagem, os policiais ignoraram as informações que deu sobre a sua vida pessoal e profissional, e que apesar de ter mostrado aos PMs os documentos do veículo, não evitou que o mesmo fosse apreendido, sem nenhuma justificativa ter sido apresentada. Nilton ressalta que um dos policiais não possuía distintivo de identificação, tendo inclusive sido estapeado pelo militar. “recebi um tapa no rosto”, afirma.
Ele disse ainda ter mencionado sobre a profissão e local de trabalho. Entre outras referências, falou do adesivo afixado em sua moto, em local visível, com a identificação de servidor da Univasf, além dos documentos de identidade e de registro funcional,dentro da carteira que portava, que não foi verificada, mas jogada ao chão pelos policiais.
Além da Univasf, associações sindicais, entre estas, o Sindicato dos Docentes da Univasf (Sindunivasf), representantes de movimentos sociais e outras instituições de ensino superior da região também estão se mobilizando, como a Universidade de Pernambuco (UPE- Campus Petrolina) em ato público na noite de hoje (2) e outros eventos durante a semana. A ação policial que envolveu o docente, tem sido entendida pela comunidade como elemento implícito de racismo, situação que paralelamente tem provocando a reação de diferentes entidades e lideranças locais. Professor Nilton de Almeida, 37 anos, é doutor em História, sindicalista, ativista do movimento negro e coordenador do Mês das Consciências Negras na região.
“Não podemos nos omitir diante de um acontecimento desta natureza, a sociedade quer a resposta das autoridades e a Univasf envidará todos os esforços neste sentido, não tenho dúvida que o Comando da Polícia Militar, o Governo da Bahia, através da Secretaria de Relações Institucionais, no âmbito de suas competências, saberão conduzir este caso” disse o reitor Julianeli Tolentino. Ele ressaltou que a Univasf vai destacar representante institucional para acompanhar os trâmites do processo. Segundo informações da Corregedoria, inicialmente, será aberto procedimento de sindicância para investigação da denúncia, que deve ser concluída em até 45 dias.



























