Saudação nazista da rainha Elizabeth II revela admiração de rei britânico pelo regime de Hitler

Jornal britânico The Sun divulgou imagem da rainha com sete anos realizando gesto ao lado do tio e futuro rei Eduardo VIII

O tabloide britânico The Sun estampou em suas páginas uma imagem da rainha Elizabeth II, com sete anos, fazendo a saudação nazista, ao lado do tio Eduardo VIII. A imagem gerou polêmica no Reino Unido e foi classificada pelo Palácio de Buckingham como “enganosa” e “decepcionante”.

A imagem foi retirada de uma filmagem de 1933 na qual aparece Elizabeth II com a mãe, Isabel, a irmã, princesa Margaret, e o tio, então príncipe de Gales e posteriormente rei Eduardo VIII. “Gravação secreta de 1933 mostra Eduardo VIII ensinando a saudação nazista à rainha”, diz a manchete do periódico.

Reprodução/ Twitter

Imagem da saudação feita pela jovem Elizabeth

Apesar do descontentamento da casa real, tanto o jornal quanto as demais publicações que divulgaram as imagens não sugerem que Elizabeth II seja simpática ao nazismo, mas levantam a discussão a respeito do tio, Eduardo VIII, apontado por historiadores como simpático ao regime de Adolf Hitler.

Elizabeth II tinha 13 anos quando a guerra começou e participou do Serviço Territorial Auxiliar de Mulheres. Seu pai, o rei Jorge VI, decidiu não sair de Londres durante os bombardeios nazistas e optou por ficar na capital com a família durante a Segunda Guerra Mundial, motivo pelo qual tem grande simpatia dos britânicos.

Wikicommons

A futura Rainha Elizabeth II posa em frente a uma ambulância durante a Segunda Guerra Mundial, em abril de 1945

Esta não é a primeira vez, no entanto, que o tabloide coloca em situação delicada a família real por questões relacionadas ao nazismo. Em 2005, o The Sun publicou uma fotografia do príncipe Harry, de 20 anos, filho mais novo do príncipe Charles e da falecida princesa Diana, vestido de nazista em uma festa à fantasia.

Gravação

Aparentemente, a gravação foi retirada do Castelo de Balmoral, na Escócia, onde a então princesa Isabel passava férias. O diretor do The Sun, Stig Abell, garantiu que obteve a gravação de maneira “legítima” e que não se trata de criticar a rainha. “É um documento histórico que realmente revela um pouco sobre o comportamento de Eduardo VIII”, justificou Abell à BBC.

O palácio de Buckingham, residência da família real britânica, por sua vez, considerou “decepcionante que um filme, gravado há oito décadas e aparentemente do arquivo pessoal da família de Vossa Majestade, fosse obtido e explorado desta maneira”.

“Muita gente verá essas imagens no momento e no contexto apropriados. Isso é uma família brincando e em um momento fazendo referência a um gesto que muitos teriam visto nas notícias”, disse o porta-voz do Palácio, que acrescentou: “ninguém nesse momento tinha ideia de como evoluiria [o nazismo]. Envolver qualquer outra coisa é enganoso e desonesto”.

Veja a gravação:

O rei e o nazismo

Eduardo VIII chegou ao trono em janeiro de 1936 e abdicou em dezembro do mesmo ano para se casar com a plebeia norte-americana divorciada Wallis Simpson, com a qual viveu depois em Paris, com o título de duque de Windsor. Após ter abdicado, o pai de Elizabeth II, Jorge VI, assumiu o trono.

O duque nutria, segundo historiadores, certa simpatia pela ascensão do fascismo na Alemanha, o que ainda é uma fonte de embaraço para a família real. Por essa razão, sua figura é polêmica no Reino Unido.

Eduardo via, segundo alguns historiadores, nos nazistas um bastião na luta contra o comunismo. E em 1937, contrariando as recomendações do governo britânico, o duque e a esposa fizeram uma visita à Alemanha, ocasião em que foram vistos fazendo a saudação nazista, além de fotografados ao lado de Hitler.

Durante visita à Alemanha, Eduardo VIII também se reuniu com o “número 2” do regime nazista, Rudolf Hess. Três anos mais tarde, quando ocupava o cargo de governador das Bahamas, deu uma entrevista para a revista americana Liberty, em defende um acordo de paz com a Alemanha e diz que “Hitler era o líder certo e lógico para o povo alemão”.

Após deixar o Reino Unido com a chegada do irmão ao trono, Eduardo VIII se exilou na França, onde morreu em 1972.

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