Do Blog Sertão Central.com
A população de Pernambuco, especialmente no interior do estado, enfrenta uma situação cada vez mais grave e revoltante: torneiras secas por períodos que variam de 20 a 45 dias, sem qualquer explicação oficial clara. O drama da falta d’água, que sempre castigou o povo sertanejo, se agravou de forma alarmante, atingindo também cidades que antes não enfrentavam desabastecimento tão prolongado.
Moradores relatam que o problema se intensificou após o processo de venda/privatização da Compesa, o que levanta questionamentos sérios sobre a gestão do serviço e as prioridades adotadas desde então. O que deveria representar modernização e eficiência, na prática, tem significado abandono, sofrimento e insegurança hídrica para milhares de famílias.
O mais grave é o silêncio absoluto. Não há nota oficial do Governo do Estado, tampouco da Compesa, explicando os motivos pelos quais diversas cidades estão passando semanas — e até mais de um mês — sem uma gota de água nas torneiras. A ausência de informação demonstra desrespeito com a população, que segue pagando contas, comprando carros-pipa e improvisando para sobreviver.
No interior, a situação é ainda mais cruel. Famílias carentes, agricultores, pequenos comerciantes, escolas e unidades de saúde sofrem com a falta do serviço mais básico de todos. Em muitos municípios, a água só chega por meio de carros-pipa, quando chega, aprofundando desigualdades e expondo a fragilidade de quem depende exclusivamente do poder público.
A pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: onde está o Governo de Pernambuco? Onde está a Compesa para explicar o caos no abastecimento? A população não pede favor, pede respeito, transparência e responsabilidade. Água não é luxo, é direito constitucional e condição mínima de dignidade humana.
O cenário atual revela uma gestão desconectada da realidade do povo, especialmente do sertão, que historicamente já sofre com a seca e agora enfrenta também a seca da omissão institucional. Sem comunicação, sem cronograma, sem explicações e sem soluções visíveis, o governo empurra o problema para debaixo do tapete, enquanto o sofrimento só aumenta.
A crise da água em Pernambuco exige respostas imediatas, planejamento sério e, sobretudo, verdade com a população. O silêncio do governo e da Compesa não é apenas inadmissível — é conivente com o sofrimento de quem não pode mais esperar.

























