Veja 5 curiosidades sobre a morte de Dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil

Há 191 anos, morria em Portugal Dom Pedro I, “o Libertador” e o primeiro imperador do Brasil; veja 5 curiosidades sobre sua morte!

Retrato de Dom Pedro I / Crédito: Domínio Público

Em pouco mais de 500 anos, a história do Brasil já teve diversas eras. Antes da chegada dos portugueses por aqui, era o chamado período pré-Cabralino — em referência a Pedro Álvares Cabral, creditado como descobridor do Brasil —, o período pré-colonial, o período colonial, o período imperial e o período republicano, vivido desde 1889 até hoje.

No período imperial, que se deu entre 1822 e 1889 — sendo assim, consideravelmente breve —, tivemos somente dois imperadores, mas cujos nomes certamente foram fundamentais e tornam eles inesquecíveis até hoje: Dom Pedro I, “o Libertador”, e seu filho, Dom Pedro II, “o Magnânimo”. O primeiro, em especial, é bastante notório por ter sido o responsável por declarar a independência do Brasil da coroa de Portugal, sendo fundamental para o estabelecimento de uma base da nossa atual nação.

O reinado de Pedro I não durou nem 10 anos, acontecendo desde a independência, em 1822, até sua abdicação em 1831. Ele faleceu poucos anos depois, no dia 24 de setembro de 1834, com apenas 35 anos.

Quadro representando a Proclamação da Independência, com Dom Pedro I ao centro / Crédito: Domínio Público

Em memória aos 191 anos da morte de Dom Pedro I, confira a seguir 5 curiosidades sobre os últimos momentos do primeiro imperador do Brasil:

1. Últimos anos

Após abdicar do trono brasileiro, em 1831, Pedro I retornou à Europa; mas não para viver em paz. Em seus últimos anos, ele esteve embrenhado em um cenário bastante conturbado, se envolvendo profundamente na Guerra Civil Portuguesa. Ele pretendia restabelecer sua filha, Maria II, no trono — que, naquele momento, também era cobiçado pelo irmão de Dom PedroDom Miguel, que havia instaurado um regime absolutista após a morte do pai, enquanto o irmão, legítimo herdeiro, estava no Brasil.

O exército de Dom Pedro tinha uma grande desvantagem numérica, ficando cercados pelos miguelistas na cidade do Porto. No entanto, quando o ex-imperador do Brasil decidiu dividir suas forças para lançar um ataque anfíbio ao sul de Portugal, ele obteve sucesso, e Lisboa foi finalmente capturada em julho de 1833.

Porém, o conflito acabou se expandindo quando Carlos, tio de Dom Pedro, tentou tomar o trono da Espanha. E Pedro teve mais um sucesso: aliado aos exércitos liberais espanhóis, ele derrotou tanto Dom Miguel quanto Carlos, culminando na assinatura de um tratado de paz em maio de 1834, alguns meses antes de sua morte.

2. Causa da morte

Ilustração representando Dom Pedro I morto / Crédito: Domínio Público

Um fato sobre Dom Pedro que já foi muito difundido pela história é que ele tinha fama de possuir uma vida sexual notoriamente agitada. Por isso, embora historiadores tenham como consenso que ele morreu de tuberculose, durante muito tempo também havia teorias de que a causa de sua morte foi, na verdade, sífilis.

Foi só nos últimos anos que laudos médicos confirmaram que não havia qualquer indício de que Dom Pedro tenha adquirido a infecção sexualmente transmissíveis, a partir dos tratamentos a que foi submetido. “Não há nenhum dado que aponte para sífilis, nem nunca vi nenhuma descrição as lesões típicas da sífilis, nos genitais, na pele, etc”, disse o médico e historiador português Pedro de Freitas em entrevista ao Estadão.

O boato da sífilis possivelmente surgiu porque o imperador chegou a ser tratado com mercúrio, o que era usado na época contra infecções sexuais. Porém, no caso dele, o medicamento foi usado como anti-hemorrágico para evitar que ele tossisse sangue, devido à tuberculose. Além disso, ele também foi tratado com sanguessugas e sangrias, ingestão de tônicos em vinho, e medicamentos como aloés, ruibarbo, digitális, e até morfina e ópio para aliviar as dores.

3. Coração

Quando contraiu tuberculose, antes de falecer, Dom Pedro I fez um pedido bastante simbólico: quando morresse, ele queria que seu coração fosse separado de seu corpo, e conservado em um local diferente de onde o restante fosse sepultado. Como amava tanto ao Brasil como Portugal, o corpo foi enviado para cá, enquanto o coração ficou na cidade do Porto, que se relaciona à sua importante reconquista de Portugal, e um marco bastante importante de sua história.

Até hoje, o coração de Dom Pedro está conservado em uma urna, que o protege de receber luz, que poderia acabar o comprometendo. Ele está guardado no altar da igreja de Nossa Senhora da Lapa, de acordo com seu desejo no leito de morte — saindo de lá somente em uma ocasião, em 2022, quando veio ao Brasil no bicentenário da independência.

Coração embalsamado de Dom Pedro I / Crédito: Getty Images

4. Corpo

Já o corpo de Dom Pedro hoje está sepultado na Cripta Imperial, no Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Inicialmente ele foi enterrado no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, que também abriga os restos mortais de todos os reis de Portugal da linhagem Bragança; mas chegou ao Brasil em 1972, nas comemorações dos 150 anos da independência, conforme repercute a CNN Brasil.

Na Cripta Imperial, além de Dom Pedro I, também estão os restos mortais de sua primeira esposa, a imperatriz Leopoldina, e da segunda esposa, Dona Amélia de Leuchtenberg. O corpo de Leopoldina foi o primeiro ali depositado, em 1954, mas foi só em 1972 que ele se tornou praticamente sagrado, ao receber Dom Pedro.

5. Legado ambíguo

Devido sua história, mesmo sendo consideravelmente breve, com 35 anos, Dom Pedro I teve uma fama ambígua nos países em que viveu. No Brasil, ele é lembrado por muitos por ter sido um homem mulherengo, mesmo sendo o responsável por proclamar nossa independência; enquanto em Portugal ele é praticamente um herói, sendo um verdadeiro símbolo de liberdade na Europa na década de 1830.

“Em meio a inúmeros monarcas conservadores que estavam de volta ao poder nesse período, Pedro IV (como é conhecido em Portugal) foi considerado um estadista moderno que inaugurou um período liberal no país”, explica a professora Isabel Vargues, da Universidade de Coimbra, em Portugal.

Já o professor de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e estudioso da vida de Dom Pedro após sua volta para a Europa, Braz Brancato, complementa: “[…] Ele foi um estadista avançado quando comparado aos seus pares da época. Além disso, ele conseguiu governar em um dos períodos mais turbulentos para os regimes monárquicos, que estavam caindo a todo momento”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *