“Não se faz segurança politizando o tema”, diz João Campos ao criticar gestão estadual

O ex-prefeito do Recife defendeu o uso de técnica no combate ao crime, prometeu assumir pessoalmente o setor e afirmou que Pernambuco perde investimentos para estados vizinhos por falta de protagonismo

Diario de Pernambuco

João Campos (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

O pré-candidato ao Governo de Pernambuco e presidente nacional do PSB, João Campos, voltou a criticar a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). Em entrevista à Rádio à Naza FM, nesta quinta-feira (25), o dirigente socialista declarou que “não se faz política pública de segurança politizando o tema e nem ideologizando”. Campos também afirmou que novos policiais militares estariam patrulhando em bairros nobres do Recife, faltando efetivo na Zona Rural, no interior e nas periferias.

Na visão do ex-prefeito do Recife, o enfrentamento à violência exige a estruturação de uma rede que una presença territorial, ações sociais e inteligência, o que inclui desde educação integral e acesso a crédito até uma forte interlocução com o Judiciário e o Ministério Público para desarticular quadrilhas e combater a lavagem de dinheiro.

“Isso não pode ser uma bandeira eleitoral, isso tem que ser uma coisa de Estado”, declarou ao usar como exemplo o que considera perseguição política a aliados. “Nas duas cidades mais violentas de Pernambuco, a primeira delas é São Lourenço. O prefeito é meu aliado político e não é [aliado] do governo do estado, a proposta que foi feita lá foi tirar o batalhão da cidade”, disse.

Campos também mencionou a situação do Cabo de Santo Agostinho, onde, segundo ele, o prefeito Lula Cabral pediu a intervenção da Força Nacional ao governo federal para conter a crise na segurança, mas o pedido teria sido negado pelo estado.

“Não se faz política pública de segurança politizando o tema, nem ideologizando. Não é nem de direita nem de esquerda, tem que combater com técnica”, criticou, completando que a prioridade deve ser “enfrentar bandido e deixar o pai de família, a mãe de família, a criança e o estudante protegidos”.

Para frear a criminalidade, o socialista defendeu a fiscalização das divisas estaduais. “Eu vou cuidar pessoalmente da segurança pública, não vou terceirizar, vou cuidar pessoalmente e vou ter coragem de fazer”.

Ainda sobre o tema, o ex-prefeito do Recife também criticou os critérios de distribuição do novo efetivo da Polícia Militar, os “laranjinhas”. Para o pré-candidato, hoje há uma “inversão” de prioridades que privilegia as classes mais altas, enquanto a periferia e a zona rural estariam desassistidas.

“Tem rua que tem quatro, cinco policiais porque tem um apartamento de 10 milhões de reais, porque tem uma loja cara, aí bota a polícia para proteger quem é rico”, disse João Campos. “Essa inversão não é culpa da tropa, os policiais estão recebendo ordem errada, que é para ter visibilidade e não para fazer a segurança de fato”.

Segundo ele, quando o efetivo é enviado para o interior, ‘a polícia prende a moto de agricultor familiar em vez de combater o crime’. “Aí o cara com uma luta danada, compra uma motinha, vende uma vaquinha, aí a polícia vai lá e prende a moto do cara. Tem que combater bandido, não trabalhador”, disse.

Projetos estruturantes

O ex-prefeito do Recife também criticou a gestão estadual na área econômica, afirmando que Pernambuco tem perdido diversas oportunidades de negócios.

“Quando a gente compara com estados vizinhos, vemos muitos investimentos chegando. […] Novos centros de distribuição, operações hoteleiras, até indústrias estão sendo instaladas na Paraíba. Há alguns anos elas escolhiam Pernambuco, mas foram para a Paraíba. Por quê? Porque falta protagonismo”, disse.

De acordo com ele, a preferência por estados vizinhos ao invés de Pernambuco mostra a “falta de capacidade de construção de um plano de desenvolvimento para o estado, de fazer projetos estruturantes”.

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