Chicotada em funcionário de fábrica chinesa no Brasil provoca revolta e paralisação de 1,2 mil funcionários

Por Camila Sales
Em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, cerca de 1.200 funcionários da Midea Indústria do Brasil cruzaram os braços na última terça-feira (23) em protesto contra uma suposta agressão sofrida por um trabalhador. O caso ocorreu no último dia 15 de junho, quando a vítima teria sido atingida com uma borracha usada como chicote dentro da empresa.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos local, este episódio representou o ápice de um descontentamento generalizado com a existência de uma série de denúncias anteriores sobre assédio moral e condições precárias de trabalho na empresa.
Diante da repercussão, a administração da Midea classificou o ocorrido como um “incidente” e confirmou o afastamento preventivo do gestor de nacionalidade chinesa. No entanto, a fabricante contesta a gravidade do relato e nega enfaticamente a ocorrência de chicotadas.
Para evitar futuros conflitos, a fabricante se comprometeu a aprimorar o treinamento de seus executivos:
“A Midea também reforçará iniciativas voltadas à integração intercultural, ao desenvolvimento de lideranças e à capacitação de profissionais expatriados que atuam no Brasil, com foco em comunicação, legislação trabalhista, práticas locais e conduta no ambiente de trabalho”, diz a nota.
O Ministério do Trabalho e Emprego interveio no caso por meio de uma reunião liderada por Carlos Calazans, superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais. Calazans qualificou a situação como “inadmissível”, exigindo a manutenção do afastamento do acusado e garantias de que a vítima não sofra retaliações.
Uma comissão composta por representantes do governo, sindicato, trabalhadores e empresa foi estabelecida para supervisionar as investigações e assegurar o rigoroso respeito às leis trabalhistas do país.
O caso segue em apuração.
























