Rescisão de R$ 4 mil motivou patroa a matar cozinheira, indica polícia

Segundo delegado, divergência trabalhista entre Berenice Ramos de Aguiar e a patroa é a principal linha de investigação

Por Carol Neves

Berenice foi morta e patroa é suspeita Crédito: Reprodução

A divergência sobre uma rescisão trabalhista de cerca de R$ 4 mil é, até o momento, a principal motivação investigada pela Polícia Civil para a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos. A informação foi reforçada neste sábado (18), mesmo dia em que a corporação revelou novos detalhes da perícia realizada na caminhonete da empresária Eliane Alves dos Santos, presa temporariamente por suspeita do crime.

De acordo com o delegado Tadeu Ricardo de Castro, um dos responsáveis pela investigação, a principal hipótese é que o desentendimento entre funcionária e empregadora tenha motivado o assassinato. Segundo a polícia, Berenice queria encerrar o contrato de trabalho por meio de uma rescisão amigável e receber aproximadamente R$ 4 mil. Já a empresária afirmou ter pago cerca de R$ 900 em dinheiro, sem apresentar comprovantes, e não queria desembolsar mais.

Embora essa seja a principal linha seguida pelos investigadores, a Polícia Civil informou que outras motivações também continuam sendo apuradas.

Ainda neste sábado, a polícia confirmou que a caminhonete da suspeita apresentava pelo menos dois disparos de arma de fogo. Conforme a perícia, os tiros foram efetuados de dentro para fora do veículo, o que, segundo os investigadores, enfraquece a hipótese de um disparo acidental.

“A caminhonete tinha dois disparos de dentro para fora. Então, pelo menos dois disparos ocorreram dentro do carro, com muito sangue. Se os tiros não transfixaram o corpo, eles ficaram no corpo da dona Berenice ou foram descartados depois”, afirmou o delegado.

Mesmo antes da conclusão dos laudos oficiais, o Instituto de Criminalística informou à Polícia Civil que o material encontrado na caminhonete é sangue humano. Além disso, a investigação reúne imagens de radares, câmeras de monitoramento e outros elementos coletados desde o desaparecimento da vítima.

O corpo de Berenice foi localizado na noite de sexta-feira (17) em uma área de mata em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. Neste sábado, a polícia confirmou oficialmente a identidade da cozinheira.

As investigações continuam e a Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que pelo menos uma outra pessoa tenha participado da ocultação do corpo. A empresária deverá prestar um novo depoimento antes da conclusão desta etapa do inquérito.

Berenice Ramos de Aguiar desapareceu em 30 de junho, após sair do restaurante onde trabalhava, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. O reconhecimento inicial do corpo foi feito pelo filho da vítima por meio de uma tatuagem, enquanto o Instituto Médico Legal (IML) realiza os exames para a identificação oficial.

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