Segurança e educação são calos petistas que ACM Neto já começa a explorar

Por Fernando Duarte
Segurança e educação são calos petistas que ACM Neto já começa a explorar

Foto: Gilberto Jr./ Divulgação

Candidato ao governo da Bahia em 2022, ACM Neto não esconde que já definiu dois temas cruciais para a campanha do próximo ano: segurança e educação. O ex-prefeito de Salvador se apoia em índices pouco expressivos no enfrentamento à violência e o avanço a passos de tartaruga na área de educação ao longo de quase 16 anos do PT no poder para avançar na corrida eleitoral. E, até aqui, a resposta do governo é tímida por uma razão simples: não dá para mudar da noite para o dia um problema histórico.

A dificuldade mais antiga é a educação. Os últimos ciclos políticos avançaram muito pouco ou até retrocederam no investimento em infraestrutura e em qualidade do ensino público. Não é uma questão que começa com Jaques Wagner, em 2007, admitamos. Porém houve muito pouca evolução ao longo dos governos petistas. No último Ideb para o ensino médio disponível, 2019, a rede estadual marcou 3.2, quase 1 ponto abaixo da projeção do Inep, responsável pela prova. O ensino médio é, em tese, uma responsabilidade dos governos estaduais e, desde 2005, primeiro disponibilizado, evoluiu apenas 0.5. E esses números tendem a cair ainda mais com a pandemia, o que vai expor deveras as fragilidades do segmento.

Na segurança, os dados disponíveis nem precisam ser elencados para chamar atenção. A Bahia – bem como o Brasil – vive um conflito civil não declarado e tem perdido sucessivas batalhas para o enfrentamento às drogas. Os resultados são índices de mortes violentas comparadas a zonas de guerra e pouca perspectiva de melhoria em um curto espaço de tempo. E não, os governos petistas não são os únicos culpados por essa chaga social aberta. E não, Jair Bolsonaro está muito longe de resolver esse problema com a mágica do “vamos distribuir armas”. Não vai funcionar, mas falar disso não cabe aqui. Enquanto o tráfico de drogas for tratado como um problema exclusivo de segurança pública, dificilmente sairemos desse buraco em que nos encontramos. É um problema de saúde pública, mas também econômico e social…

Todavia, numa campanha eleitoral, pouco importa quem são os verdadeiros vilões ou culpados. Caso ACM Neto consiga construir uma narrativa que explicite a parcela de responsabilidade de Jaques Wagner e de Rui Costa para não resolver esses problema. (BN)

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